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OVELHAS PERDIDAS-PARTE FINAL Enviar por e-mail
Literatura - Contos - Diversos

Escrito por yrusk
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Qui, 15 de Janeiro de 2009 17:33
Ainda acompanhava com os olhos, quando o carro desapareceu no final da curva. Como era possível tudo aquilo acontecer apenas em poucos minutos que perambulava pela rua. - Perguntava-se o padre. Se ali fosse ao menos uma cidade grande com seus vícios e tentações, gerando nos homens a dormência dos mais puros e sinceros sentimentos, esses acontecimentos seriam perfeitamente compreensíveis. Mas ali não. Era a sua cidade, seu refúgio de todos esses males, onde Deus o enviou para tomar conta de sua casa. Sua cabeça estava um caos.

Imóvel naquele banco, ele apenas acompanhava a movimentação ao seu redor. Pessoas passavam conversando, crianças jogavam bola e um cachorro magricela que não parava de lamber um osso aos seus pés. Passado alguns minutos, depois de forte reflexão, o padre, tomando ar, levantou-se com uma postura imponente e, com suas mãos, ergueu levemente a sua batina, com o intuito de facilitar seus movimentos, e saiu em disparada em direção a casa de Deus que, por sinal, também era sua casa.

Com muita dificuldade, tropeçando pela rua, finalmente alcançara a portas fechadas da igreja. Ficou parado e, tentando adquirir coragem, começou a subir os degraus lentamente que davam acesso a entrada. Ao chegar ao último degrau, parou alguns instantes, fechando lentamente os olhos; só então empurrou delicadamente as portas que se escancararam iluminando o interior escuro da igreja que ainda cheirava a tinta fresca.
A primeira imagem com que o padre se deparou, foi a de Jesus crucificado ao alto do altar. Aproximou-se lentamente. No final do tapete vermelho que ia de encontro com a imagem, ajoelhou-se clamando a Jesus:

- Pai, Pai...me ajude senhor...

O padre ficou ali mesmo ajoelhado com as mãos arqueadas para o alto, na esperança de ouvir uma resposta do lado de lá.

- Pai, Pai ...essa cidade está perdida...PERDIDA!- gritou o padre.

Então o padre, com os joelhos doendo, já se preparava para se levantar, quando de repente ouviu uma voz.

-Quem você disse que está perdido Justino?

O padre que estava ensaiando um movimento para se levantar acabou caindo de costa no chão. A cabeça parecia que ia descolar do corpo de tanto que ele a girava procurando alguém ali dentro que teria dito aquelas palavras. Então, a voz com um tom mais maleável voltou a ecoar.

-Quem você procura Justino? Tu não me chamaste, pois aqui estou.

Agora não corria mais nenhuma gota de sangue nas veias do pobre padre que estava branco como a neve.

-Quem...quem es-está aí... onde você está?- perguntou o padre aflito.

-Sou eu Justino. Estou bem na tua frente.- respondeu a voz.

O padre com seus olhos esbugalhados que pareciam que iam saltar das órbitas, olhou para a imagem a sua frente, voltando, rapidamente, a ajoelhar-se, desmanchando-se em lágrimas.

-Oh, meu senhor... abençai-vos. Viste como ficou linda a vossa casa?- Falou o padre.

-O que eu vi Justino, foram minhas ovelhas sem direção por essa cidade. - falou a voz com um tom mais sério.

Justino agora se sentiu uma criança pronta para "dedurar" todos que não tinham ido visitar a igreja terminada.

-Meu pai...ninguém quis...- Nesse momento a voz interrompera o padre em sua fala que aparentava ser um belo discurso.

-Justino, minha casa não é aqui dentro, é lá fora com minhas ovelhas... vá; e cuide delas. - A voz falou em um tom paternal.

O padre, com o pronunciamento daquelas breves palavras, finalmente despertara da ilusão em que vivia. Então, com um movimento rápido, levantou-se, dando uma ultima olhada para a imagem. Estava prestes a bater continência e, jurando lealdade ao senhor, virou-se rumo à saída da igreja. Parando na porta, com o seu olhar, fez uma explanação de toda a cidade animado com a nova missão que recebera. O padre, tomando coragem, encheu os pulmões de ar e quando ia saindo, ouviu novamente a voz.

- Confiei a ti a minha vontade, cumpre-a...

O padre deu uma leve olhada de canto de olho para a imagem a suas costas, balançando a cabeça e saiu em disparada rumo às ovelhas perdidas.



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OVELHAS PERDIDAS-PARTE FINAL
Qui, 15 de Janeiro de 2009

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Última atualização em Sáb, 17 de Janeiro de 2009 12:11
 
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