| O Filme em Questão: Lola Montez |
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Publicado em 1977 no Jornal do Brasil
(uma estrela)
Aviso aos nevegantes mais inexperientes: clássico de cinema não é bem isso. Esperem, por exemplo, o Vampiro do Dreyer e, enquanto isso , assistam a uma boa fita nacional. Lola Montez é um belo filme mas não dá pé. Ophuls teve o grande mérito de, mesmo manipulando um orçamento altíssimo, fazer um filme de arte. Antes assim. Talvez até a fama de Lola Montez tenha nascido desse jogo duplo e dá para sentir que os papas Bazin , Rossellini e Cocteau defendiam o filme mais por motivos de política de cinema que por qualquer emoção especial neles despertada. Num dado instante estavam todos no mesmo lado e Ophuls agonizava cercado pelos médicos. O chato é que, há 20 anos a avant-garde já era e Ophuls ainda dedilhava Douce France em sua harpa, enquanto a guerra da Argélia comia solta e os doces franceses enforcavam árabes no Bois de Boulogne. Para mim, que nunca tinha visto o filme foi como se Lola Montez perdesse um encanto que nunca teve e, igual a ela , o filme é tão fácil quanto inatingível. Debaixo da montanha de roupas, imagina-se uma Martine Carol que não existe, assim como somos levados ( pelo alucinante carrinho-montanha russa em que se instala a câmara) a esplêndidas paisagens, mas passamos longe da vida. O grande filme não é o que faz da representação a sua meta. Enquanto única memória registrável possivel (imagem mais som igual à realidade) ele é a própria vida.
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