(Publicado em 1977 no Jornal do Brasil )
(uma estrela)
Lapa, nove e meia da manhã. Eu indo em direção à toca do lobo, (isto é, a cabine da Fox ), para ver essa Guerra nas Estrelas, encontro Joel Barcelos chegando de Vitória, aflito com as dificuldades de lançamento do seu "Paraíso no Inferno". Pensei no escândalo que é o fato de que, em plena Lapa, Joel tenha que se submeter às imposições dos administradores do abacaxi americano, sob a vista complacente de nossa polícia que, achando tudo normal, permite ao lobo estrangeiro devorar impunemente uma de nossas melhores ovelhas. A moderna forma de dominação são os famosos efeitos especiais, somente possíveis através do produto dos saques sistemáticos que os americanos efetuam nos mercados de cinema dos países colonizados, e acho que, com boa vontade e a mesma grana, dá para se fazer igual aqui no Bataglin, em Botafogo. A pirataria é perpétua, organizada e agora até defendida através de mandatos de segurança atentatórios à nossa soberania, e lembrando Paulo Emilio, a hora não é de defender o cinema brasileiro e sim de atacar o cinema estrangeiro, principalmente quando representado por filmes como esse. Guerra nas Estrelas é uma espécie de Muppet Show de lata onde se brinca de guerra no ano 3001 e é claro que o público americano tinha que adorar já que, além de viciado em maquinetas, não é a imaginação um de seus pontos fortes. Esse Lucas, depois do bobo e cheio de modismos American Graffitti, repete a operação apelando de todas as formas possíveis e chegando até a transformar o Alec Guinnes numa espécie de D. Juan (do Castañeda) intergalático, obrigado a cumprir um roteiro ginasiano e ridículo. O sorvete que nos querem impingir é colorido artificialmente e acho que brasileiro que se preza não pode gostar desse filme. Enquanto não chegam as leis verdadeiramente eficientes de resposta à pirataria, o boicote talvez seja a nossa melhor arma. Não vá ver Guerra nas Estrelas! Evacuem as crianças! Abaixo o carneirismo! Viva a imaginação!
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