| Escrito por E.E.S, em 23-02-2008 19:59 |
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Tlunc... Tlunc... Tlunc...
Lá fora cai a chuva.
O perfume ocre de terra molhada tem gosto amargo de saudade.
Pequenas gotas ferem a calha
cantando uma estranha canção.
Tlunc... Tlunc... Tlunc...
Ouço as gotas da chuva
batendo na minha janela.
Elas põem-me a pensar
enquanto os pingos da chuva continuam a cantar.
Tlunc... Tlunc... Tlunc...
Lá vem o amanha,
trazendo do céu a mesma velha lágrima
que afoga a minha alma
e tira os meus pés do chão.
Passeio pelo meu quarto escuro.
Sigo tropeçando por entre a cama, guarda-roupa,
e outros amores...
Procuro uma fotografia sua na gaveta vazia,
onde está você agora?
Tlunc... Tlunc... Tlunc...
Uma hora dessas a chuva vai passar.
Talvez até as estrelas um dia voltem a brilhar.
Talvez eu perceba que amar seja uma doce ilusão.
Mais não hoje, hoje não...
Granizos atacam o meu telhado de vidro,
há muitas lembranças não me deixando dormir.
O barulho é enorme,
a tempestade que cai lá fora
inunda os meus olhos.
Estou submerso em águas passadas,
o que fazer, quando não resta mais quase nada?
quando se está desnudo no mundo,
sem eira nem beira,
no fim das palavras.
Eu vejo a chuva caindo,
sem se preocupar para aonde vai,
sem medo, sem remorso,
diferente da chuva
eu sempre olho para trás...
Tlunc. Tlunc.
Finalmente a velha calha se cala.
No meio da madrugada o silêncio invade a casa,
É o fim das gotas cantantes.
...Diferente das lagrimas.
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