ESA #6 - Guta, André e Erick em uma festa particular! Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Mariana Mello, em 11-03-2008 12:47
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André beijou os lábios frescos de Joyce com emoção. Sua mão deslizou pelas costas perfeitas da garota abrindo o zíper do vestido branco e florido. Joyce se remexeu inconfortável, segurando a mão de André a afastando de seu vestido.

André parou. Joyce parou. Os dois se olharam profundamente nos olhos, cada um com sua expressão típica de desapontamento.

- Eu não estou pronta... André... - Joyce resmungou. Ele se sentou na cama se sentindo um mané. Ela fechou o zíper do vestido antes de se levantar. Abraçou o namorado por trás beijando-lhe o rosto. - Desculpa... - é que não era bem assim que Joyce imaginava sua primeira vez. Ela queria a cama enfeitada com pétalas de rosas vermelhas, um lençol branco de cetim e estar usando uma lingerie sexy cor-de-rosa... sem esquecer das velas espalhadas por todo o quarto. Seria romântico e a idéia de transar escondido enquanto seus pais viam tevê na sala, não era nada romântico!

- Tudo bem. - André tentou parecer legal. Ele não se importava com esse papo de romantismo e nem fazia idéia das idealizações de Joyce... ele só queria chegar lá. Seria sua primeira vez, e também a de Joyce... eles se gostavam e pra ele isso era o máximo de romantismo que poderia acontecer... mas sempre que tentava, Joyce pulava fora com uma desculpinha tola. Nem queria ouvir qual era o caso dessa vez.

- Meus pais estão na sala... - a menina começou a se explicar mesmo assim, sentindo-se um pouco culpada por ser uma covarde.

- Tudo bem, Joyce... já está tarde mesmo né? Tenho que ir pra casa, amanhã tem aula e aquele jogo.

- Você está chateado?

- Claro que não. - virou-se para ela e beijou-lhe os lábios. Estava puto de raiva, certamente. - Nos vemos amanhã na escola, tudo bem?

- Tudo bem! - Joyce sorriu tentando arrumar os cabelos bagunçados. - Eu levo você até a porta.

André sorriu, Joyce era mesmo bonitinha... ele se derretia todo quando ela olhava pra ele com esse ar de princesa das neves. Deram as mãos e desceram as escadas. André educado se despediu dos pais da garota e saiu pela porta. Suspirou chateado assim que achou que Joyce estaria bem longe em seu quarto e não poderia ouví-lo.

Mané. Era isso que era. Namorava Joyce há bastante tempo, embora nunca conseguisse fazer as contas com exatidão de quanto tempo... e já estava na hora. Ela queria, ele queria... mas nunca estavam prontos. Quer dizer, ele estava, Joyce nunca estava!

Só se deu conta de que caminhou sozinho e cabisbaixo resmungando da vida quando parou na porta de sua casa e um barulhinho na lateral da casa chamou sua atenção. Contornou o perímetro e encontrou a sacada do quarto de hóspedes onde Erick estava dormindo aberta. Havia um som baixinho de um punkrock estranho saindo de algum lugar por ali... e viu Guta sentada com um casaco de homem no corpo, encolhida enquanto segurava uma taça de vinho.
Por um momento sentiu um pouco de raiva, porque Guta estava ali bebendo com seu irmão enquanto ele tinha uma noite pra lá de frustrada.

- Ei, André. - a voz de Erick o chamou em um sussurro. André ergueu a cabeça e viu o garoto na outra extremidade da sacada. O espetáculo combinava com o resto da roupa de palhaço.

- O que vocês estão fazendo?!

- Shiiiii! - Guta reclamou, se inclinando e sussurrou. - Sobe aqui!
André não pensou duas vezes.

Entrou em casa, passou pelos pais que viam televisão e conversavam depois do jantar e subiu as escadas bem devagar tentando não ser descoberto chegando em casa. Parou na frente da porta do quarto de Erick e ouviu a fechadura destrancar. A porta abriu.

Erick sorriu, puxando-o para dentro e fechando a porta rapidamente em seguida. André examinou o local onde a festa particular acontecia. O laptop de Erick estava ligado na parede e largado em cima da cama tocando mp3, enquanto a tela exibia o desktop na proteção de tela - que era um aquário marinho - única luz do quarto.

Na sacada havia uma garrafa de vinho, duas taças e o coturno de Erick largado em um canto junto do chinelo de Guta, que se encolhia do frio com um casaco moletom preto e meias masculinas, certamente tudo de Erick.

- Vocês por acaso estão namorando? - André se aproximou sentando-se no chão frio da sacada, puxando a garrafa de vinho e examinando a embalagem. Era um vinho meio vagabundo que se achava fácil no mercado.

- Claro que não! Estávamos falando de você.

- Erick! - Guta reclamou com as bochechas rosadas e frias, segurando a taça de vinho quase cheia com as mãos. - Estávamos só conversando sobre várias coisas...

- Ah sei. - André resmungou meio irritado. Estava óbvio que os dois estavam ficando. O local todo estava propício para um beijo e algo a mais!

- Você está com ciúmes? - Erick perguntou pegando a garrafa e enchendo uma taça de vinho estendendo-a para André. - Ou só teve uma noite meio ruim?

- Uma noite meio ruim. - respondeu pegando a taça, olhou o líquido vermelho e demorou para dar o primeiro gole, porque tinha jogo amanhã... ah que se dane! Estava tendo uma noite ruim e merecia se divertir um pouco! - Eu acho bonitinho que vocês fiquem namorando escondido.
Erick segurou a gargalhada para não fazer barulho. Guta acabou fazendo o mesmo. Aquilo incomodou André, era como se eles tivessem um segredo entre eles e estavam tirando um sarro.

- E a Joyce? - Guta perguntou.

- Em casa... dormindo. - André deu um largo gole no vinho doce e aveludado. Um típico vinho para se tomar um porre. - Que música é essa? É horrível!

- Slipknot. - Erick respondeu. - A Joyce beija bem, André?

- Que tipo de pergunta é essa? Cê tá bêbado?

Guta deu uma risadinha. André olhou para ela e viu duas garrafas de vinho vazias no chão no canto da sacada. É, eles estavam bêbados.

- Cheguei atrapalhando, né?

- Ai, André... que saco... - Erick reclamou enchendo a já cheia taça de Guta até quase transbordar antes de beber direto da garrafa. - Estamos conversando, só isso, não precisa se preocupar tanto em nos atrapalhar... além do mais, podemos continuar conversando com você aí! Mas seria muito mais legal se você deixasse o seu mau-humor pra lá e se divertisse também.

- Estávamos entediados, você e a Joyce sumiram do parque. Resolvemos fazer uma festa particular e acabamos confessando nossos crimes. - Guta continuou sorridente. - E você, que crime quer confessar?

André para não dizer nada entornou a taça de vinho de uma só vez.

- Tem mais vinho? - agora queria ficar bêbado também e saber que crimes eram esses.

- Tem, ali... - Erick respondeu apontando a mochila no pé da porta da sacada, preta e vermelha.
Guta se levantou e tirou da mochila mais duas garrafas de vinho e colocou no meio dos três.

Escolheu uma para abrir e pegou o saca rolha que estava jogado no chão. Abriu meio sem jeito a garrafa e encheu o copo de André, já que Erick não largou sua garrafa, que era a que já estava aberta.

- E que crimes vocês estavam falando? - André perguntou curioso, puxando a taça antes que ela ficasse cheia demais.

- A Guta estava me contando como gostaria de entrar no vestiário masculino só pra ver os meninos pelados depois do jogo, não é?

Guta sorriu sem graça, abaixando os olhos.

André surpreendeu-se com esse comentário. Até então nunca havia pensado em Guta como uma menina cheia de desejos secretos... eles eram melhores amigos e melhores amigos são como irmãos. Irmãos não pensam que suas irmãs são garotas como todas as outras...

- Verdade, Guta?

- Verdade! - ela ficou com as bochechas rosadas de novo, sentada com frio bebendo do seu vinho mais uma vez. - Mas agora que você sabe um segredo, você precisa contar outro em troca.

- Mas eu ainda não escutei nenhum segredo do Erick. - André desviou do assunto, ainda tímido com esse tipo de conversa.

- Não adianta disfarçar, você já está sabendo que compramos bebida escondidos. Só aí são dois segredos! - Erick se adiantou.

- Tudo bem então... posso contar que ainda não vi a Joyce de calcinha...!

- Não brinca! Eu jurava que vocês já tinham tudo rolando! - Guta debochou. - Isso eu já sei! Ela me conta tudo, não se esqueça! Conta um segredo mesmo, desses que ninguém sabe e nem pode saber...

- Melhor não... - André estava inseguro.

- Ah, conta! - Guta fez voz de criancinha querendo um chocolate e se aproximou de André. Eles ficaram tão próximos que André podia sentir o hálito de bebida da menina. Ficou excitado. Guta era uma menina cheia de desejos que queria vê-lo pelado após o jogo... - Conta..!

- Tudo bem! - ele se afastou dela cedendo antes que a situação piorasse, já se sentindo meio tonto por causa do vinho. - Minha vida é meio chata e eu não tenho segredos mortais... mas eu nunca contei pra ninguém que ainda sou virgem.

- Sério? - Guta e Erick falaram quase que ao mesmo tempo, o que fez André se sentir pior.

- É, né...

- Se te serve de consolo eu também sou! - Guta sorriu numa espécie de conforto, brindando a taça com André.

- Ah, não é possível que esse seja o maior segredo de vocês... nunca fizeram nada realmente proibido não? - Erick perguntou largando uma garrafa vazia e pegando a outra.

- Algum exemplo? - a pergunta partiu de Guta.

- É, por exemplo... fugir de casa no meio da madrugada, tomar um porre e bater o carro, fumar maconha, correr pelado num campo de futebol...!

- Não! - Guta respondeu se sentindo envergonhada de se imaginar correndo pelada na quadra da escola.

- Uma vez eu fumei maconha com o Renato. - André confessou. Logo em seguida se arrependeu. - Ei, isso é segredo!

- Agora sim, um segredo! - Guta riu e brindou a taça com a garrafa de Erick, os dois beberam ao mesmo tempo.

- Pronto, agora cada um precisa me contar um segredo...! - André lembrou das regras do jogo que eles mesmos haviam inventado.

- Umas garrafas de vinho são suficiente para me fazerem chegar ao ponto de cometer um desses segredos. Acabam que não são segredos pra ninguém que realmente me conheça, né? - Erick comentou rindo a toa.

- Eu tenho um bom! - Guta ficou de pé. - E isso vai exigir dois desses seus segredos movidos a vinho, hein, Erick!

- Tá bem... - ele deu mais um gole de vinho.

- Quando eu tava na oitava série tinha um carinha que sempre cuidava da piscina lá em casa... não era bonito nem nada, mas tinha um corpão e vivia me dando trela né... uma vez, enquanto ele limpava a piscina eu coloquei um biquini, estendi a toalha numa cadeira e - ela levantou a blusa junto com seu sutiã. - Fiz um topless! - depois se sentou tímida, com as faces vermelhas, ajeitando o sutiã escondendo-se.

- Uau. - Erick comentou enquanto André não sabia nem o que dizer e apenas ficou olhando pra ela boquiaberto. - Acho que sei como ele se sentiu.

- Agora conta, Erick...! Merece dois, né?

- É... merece. Mas antes quero saber se rolou alguma coisa entre você e esse Sr. Piscineiro!

- Não deu nada, não... mas eu fiz!

- Certo. É válido. - André avaliou ainda pasmo com a visão que tivera, os peitinhos de Guta eram redondos, fartos e rosados. Uma graça... será que eram macios? Indagou sozinho.

- Sua vez, Erick! Enrolão! - Guta deu um peteleco na garrafa de Erick enquanto ele ainda bebia.

- Tá, calma... Nada tão digno quanto o seu, Guta... Mas uma vez fotografei a namorada de um amigo tirando a roupa... nunca ficaram sabendo e acabei expondo as fotos na escola no trabalho de fim de ano...

- Aposto que esse seu amigo quis te bater. - André riu.

- Ele não, ela!

- Ah, você é mesmo um pervertido! - Guta riu divertindo-se, bebendo mais vinho também. - Mais um, vai!

- Poxa... tá ficando difícil... - ele pensou um pouco. - Não é como se eu tivesse tantos segredos desse tipo assim... ainda mais obrigatoriamente movidos à vinho...

- Tudo bem, a gente elimina o vinho da parada... - André comentou. - Segredos sóbrios são mais legais, porque não tem desculpa pra tamanha insanidade.

- Acho que não tenho segredos sóbrios.

- Vai dizer que você é um adolescente bêbado, Erick? - André riu.

- Acho que você pode considerar esse um dos segredos de Brasília!

- Quem vê pensa que você nunca bebeu, né André? - Guta se intrometeu. - Não liga pra ele, Erick... o André é o primeiro a querer se encher de álcool em todas as festas... quando não tem treino no dia seguinte e quando não está com o Renato, claro.

- O Renato é muito chato com esse tipo de coisa... - André reclamou. - Mais chato que meu treinador... só pensa em basquete!

- E você pensa em quê?

- Na calcinha da Joyce... - André confessou.

- Ela gosta de você, portanto não vai demorar muito... - Guta continuou - Verdade que ela te deu uma cueca de aniversário?

- É verdade, mas não entendo... ela me dá um presente desses mas na hora... fica fugindo...

- Um brinde porque eu não entendo as mulheres! - brincou Erick.

- Nem eu! - Guta entrou na brincadeira e engoliu de vez sua taça de vinho. Abriu a terceira e última garrafa.

- Eu acho que o André devia virar essa!

- Ah não! - André reclamou, tentando se esquivar. - Não quero ficar de ressaca!

- Tudo bem, André... te ajudamos! Bebe o máximo que você conseguir e passa a garrafa! - Guta estendeu a garrafa para André. Ele a segurou com as duas mãos, respirou fundo e direto da garrafa deu quantos goles agüentou, que não foram muitos. Depois foi a vez de Guta, que já meio bêbada mais deixou o vinho escorrer pela boca manchando o moletom do que bebeu. E por fim, Erick secou o vasilhame de vinho, finalizando com uma careta.

- Ótimo, o mundo inteiro gira! - reclamou quando ficou de pé indo até o computador.

- Eu preciso ir embora! - Guta reclamou estapeando as faces já sentindo dormência da bebedeira. - Já está bem tarde minha mãe vai me matar quando me vir assim.

- Por que você não liga avisando que vai dormir na Joyce e dorme aqui? - André perguntou. - Te empresto uniforme pra amanhã.

- Será que é uma boa idéia?

- Lógico. - André sorriu. - Assim você não leva bronca!

- É verdade! - Guta sorriu satisfeita.

- Eu tive uma idéia, vamos dançar. - Erick sugeriu trocando a música do computador para uma baladinha romântica.

- Claro! - Guta ficou de pé e rodopiou sem saber se era ela que rodava ou o mundo ao seu redor.
André do lado dela, começou a dançar com a menina.

- Erick, você dança com a senhora vassoura!


Algumas poucas horas depois já era tarde da noite e a madrugada do lado de fora caía fria. André segurava Erick tonto na sacada, meio deitado no chão. Erick não conseguia ficar acordado, vacilando embriagado entre a consciência.

Guta voltou segurando um copo de água, da pia, que pegou no copo ainda sujo de vinho.

Ajoelhou-se do lado de André que tentou fazer o irmão beber um pouco de água. André estava preocupado, porque tinha lido em algum lugar sobre coma alcoólico e estava com medo que isso estivesse acontecendo:

- Será que devo chamar meus pais?

- Não! Tenho certeza que ele só precisa dormir...- Guta estava bêbada e falava enrolado, chegaria a ser bonitinho se a situação não tivesse saído fora de controle. - Vamos por ele na cama, André... melhor. Se ele não melhorar a gente dá um banho frio!

- Ok. - André estendeu o copo para a menina. - Ajuda a levantar...

- Tá. - Guta soltou o copo no chão mesmo e ajudou André a erguer Erick, passando o braço do garoto pelos ombros de André. - Você manda.

- Um, dois... três! - e no três ficaram de pé. Erick sem equilíbrio nenhum escorado em André que o segurou para não cair. Quase foi ao chão com o peso do irmão, mas o segurou firme.

- Hmmm... - Erick resmungou algo, colocando uma das mãos desajeitada na testa. Pelo menos isso era sinal de que estava vivo.

- Vamos te levar pra cama, Erick... calma. - André avisou, como se fizesse alguma diferença.
Andou a passos de formiga enquanto Guta correu para tirar tudo o que tinha em cima da cama de Erick. Desligou e colocou o computador, a mochila e o casaco no chão do outro lado da cama. André soltou Erick deitado, que ficou do mesmo jeito que caiu.

- Agora ele fica bem. - Guta constatou. Foi fechar a janela da sacada e o quarto todo ficou um breu. Na volta, tropeçou em um tênis e caiu em cima de André, que a segurou por reflexo, sentando-se no chão.

Eles riram, meio bobos e embriagados, achando tudo engraçado. Mas o sorriso de Guta sumiu meio sem graça, no escuro. Ela depositou uma de suas mãos no rosto de André um pouco chateada... ele era mesmo lindo, até no escuro... especialmente no escuro.

Guta fechou seus olhos e sem medir suas ações beijou os lábios macios de André, ele retribuiu. Guta achou que de tão bêbada já estava sonhando, mas a sensação não era de um sonho puritano... era de um desejo ardente que crescia dentro do seu corpo... o cheiro de André era tudo o que ela queria, o calor de seus lábios era seu deleite.

Esticou-se para trás deitando-se no carpete cinza, puxando André para cima de seu corpo. Arrancou a blusa do garoto e sentiu as mãos geladas dele em seus seios, explorando cada centímetro da sua pele.

 


Publicado em : Livros, Romance
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