| ESA #10 - O segredo de Sofia e Erick |
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Ao fim da aula Sofia estava sentada no banco do pátio segurando sua mochila e seu case com o violino, esperando Erick como disse que faria, mas estava entediada.
Primeiro o problema tinha sido driblar Cecília, que queria se encontrar com Joyce antes de ir para casa e ver os detalhes do passeio no shopping. Segundo que estava com fome e ia acabar perdendo o tempo de almoçar antes de ir para a aula de música... isso se não chegasse atrasada! O pátio era o centro do colégio e todo mundo passava por lá, o local já estava quase vazio quando Erick apareceu. Caminhou até ela sem pressa e parou diante da menina que o olhava séria, visivelmente cansada de esperar. - Oi... não fiz você esperar muito, fiz? - eram vinte minutos de atraso. - Não, eu acabei de chegar. - mentiu, estava achando que ele não vinha mais. Erick soltou a mochila no chão e sentou do seu lado. Segurou na mão delicada de unhas pintadas de cor-de-rosa. Sofia continuou séria, definitivamente alguma coisa estava errada. Erick tinha certeza que o problema todo tinha sido seu atraso, mas ele queria certificar-se de que ninguém o veria ali, portanto convenceu a todos a irem na frente, inventando a esfarrapada desculpa de que precisava pegar um livro na biblioteca.... o problema é que ele não contava com a enorme fila que encontrara por lá. Devia ter marcado com Sofia na biblioteca, era mais discreto! - Eu achei que você estava namorando a Guta. - a voz de Sofia mais uma vez interrompeu suas longas indagações. - De onde saiu isso? - surpreendeu-se a encarando. - Foi o que a Cecília disse depois do jogo. - Sofia deu de ombros, abaixando os olhos cor-de-mel um pouco envergonhada. - Ela comentou com a Joyce também... - A sua irmã é uma louca... - a garota o encarou de imediato, com um ar de reprovação. - Você deve saber disso melhor do que eu. - É... a Cecy é um pouco ciumenta, mas ela não é nenhuma vilã de novela capaz de atos malucos e de pura maldade. - Tá, nem quero falar da sua irmã... - ele sorriu sem graça. A bem da verdade era que discordava de Sofia quanto sua opinião em relação à Cecília. - Eu vim aqui pra... pra convidar você para sair domingo, depois daquela festa que vai ter. - E pra onde? - indagou curiosa. - Ah.... não sei. - não havia pensado nisso. - Você escolhe... não conheço nada por aqui. - Tá bem. Posso pensar em algum lugar... Mas Erick, eu tenho uma coisa chata para te pedir. - O que é? - Não vamos contar nada a ninguém tá? Sobre a gente... falar qualquer coisa agora só vai gerar fofocas... - Especialmente a Cecília. - Erick sorriu, Sofia retribuiu o sorriso finalmente. Depois se beijaram. Ah, mas não formam um casal fofinho?! Chegando em casa André não quis almoçar. Disse que estava com um pouco de dor de cabeça e ia deitar. Estirou-se na cama e pegou o papel pêssego da carta de Joyce, amassado, do bolso de sua bermuda. Ficou olhando para ele. O selinho em forma de coração brilhava. Droga. Era uma carta de amor! E uma carta bonitinha, dessas feitas com todo o carinho do mundo. No início, gostava de receber uma carta de Joyce, costumava ficar orgulhoso disso. Estavam namorando há quatro meses e agora, por causa de uma maldita coisa que fez sem pensar... pronto... tudo tinha mudado. Gostava de Joyce, puxa se gostava! Joyce sempre fora linda, uma garota e tanto, perfeita em tudo o que fazia: desde a caligrafia até o jeito de sorrir... eles eram virgens e pensavam em perder a virgindade juntos! Como namorados de verdade fazem! Sentiu enjôo. Droga, droga e droga. Por quê Guta tinha que ter deixado?! Ela podia fazer como Joyce, que contorcia o corpo, se esquivava e dizia sempre "agora não estou pronta!". Guta estava pronta! E por quê com ele?! Eles eram amigos, melhores amigos!! Sentia-se tão mal com isso... Guta era sua amiga de infância, como uma irmã... e ele não conseguia parar de pensar em seus beijos... a maciez de sua pele, seus seios macios e rosados... Não! Sentou-se na cama. Não! Não podia ficar excitado pensando em Guta. Eles eram amigos e apenas isso! Era Joyce quem ele amava... Joyce. Abriu a carta que recebeu estourando o selo de coração posto com cuidado, mas arrependeu-se assim que viu a grafia de Joyce, caprichada e redonda, escrita em tinta azul. (Se não consegue ver a imagem, siga o Link: http://img383.imageshack.us/img383/233/cartajoycebt2.jpg) Assim que acabou de ler a carta André estava chorando sozinho no quarto, amassando o papel pêssego. Joyce era seu amor. Sua princesa! - Você o quê? - Guta largou o controle do Playstation e o avatar com que jogava bateu-se contra uma parede e ficou ali parado. Adorava Need for Speed, mas a notícia era muito mais que interessante. Apertou o telefone cor-de-rosa contra a orelha delicada para escutar direito. - Eu a beijei no corredor, logo depois de falar com a Cecília. - Erick repetiu do outro lado da linha. - Assim, do nada? - Assim do nada. - Uau... estou surpresa.... ela não te bateu? - Não... ela até me esperou depois da aula! - E como que a Cecília reagiu? - Guta estava sentada em sua cama jogando videogame de pijama cor-de-rosa, trancada em seu quarto como fazia muitas vezes depois da aula. - Ela não sabe, ainda. - O quê? - A gente combinou de nem falar nada pra ninguém por enquanto... - Não vai dar certo ficar com uma escondida enquanto a outra dá em cima de você. - A Cecília vai ficar na dela, Guta... agora você sabia que ela andou espalhando que a gente tava namorando? - O quê?! Nós dois?! - É.. depois do jogo... ontem, ela disse pra Sofia e pra Joyce. - A Sofia quem te contou isso? - É. Não sei da onde tiram essas idéias malucas... - A Joyce nem comentou nada comigo... - Guta se chateou e abraçou seu travesseiro. - Tá muito estranho falar com ela depois do que aconteceu. - Não se culpe... - Eu quero contar pra ela... - Não!! Você tá louca?! - Acho que ela merece saber como o André é de verdade... e eu. - E aí? Além de perder a amizade do André você vai perder da Joyce também? Não vai adiantar nada e pode piorar tudo, acredite. - Eu sei, mas não consigo mentir. - Guta, não é mentir... É por questões muito mais complicadas do que parece... estou dando um conselho, não faça isso! Se não pelo André, pela Joyce... - É... seria injusto com ela... - torceu a boca um pouco contrariada. - É injusto ela namorar um desgraçado desses também... fala sério, Erick! Ele nem liga pra ela! - Deixe que desse problema eles cuidam, tá? Você tem é que passar por cima disso e fingir que nada aconteceu. - Vai ser difícil. - Vai nada! - E agora você vai ter bem menos tempo de ficar comigo depois da aula, já que vai começar a namorar a Sofia... - Deixa de ser boba, Guta! - Mas estou feliz por você, Erick... a Sofia combina com você! Nossa, isso me lembra que tenho que ligar pra Joyce e marcar de ir ao shopping, comprar as roupas pra festa... quer ir? - Comprar roupa com um bando de meninas? Eu passo!! Sério! - eles riram. - Nos vemos na aula amanhã... e se quer mesmo evitar que a Cecília descubra qualquer coisa, melhor evitar os corredores da escola, especialmente perto da sala do jornal! - Eu sei! Até amanhã! Tchau! Guta desligou o telefone e voltou ao seu jogo. Mesmo que seu coração estivesse partido por uma desilusão amorosa dolorida, estava contente porque as coisas estavam dando certo para seu amigo. O celular de Sofia tremeu com uma mensagem de texto. Já era a terceira vez em menos de cinco minutos. Cecília ergueu a cabeça do seu computador e olhou para a irmã que pegou o aparelho cor-de-rosa com pressa e abriu um sorriso assim que viu a mensagem. - Quem é? - Nada, Cecy. - Sofia mentiu com audácia e sem talento, deitada na cama preparando-se para dormir, de pijama azul enquanto lia o livro que Renato emprestara, para o trabalho de história. As duas dividiam o quarto desde pequenas e suas camas eram separadas por uma mesinha com dois abajures. Um para cada: o de Sofia era uma nuvem com um arco-íris e o de Cecília era uma boneca amarela com um chapéu enorme. - O que você está aprontando? - perguntou ajeitando a alça da sua camisola verde clara. Estava deitada na cama, com o laptop na tomada para não gastar bateria. - Obviamente a mensagem foi boa. - A Isabella confirmou que iremos tocar uma suspensão no quinto compasso. - falou qualquer besteira sem o menor sentido, só para Cecília a deixar em paz. - Hm... seja lá o que for isso. - Cecília deu de ombros, não muito convencida, virou o computador mostrando a tela pra irmã. - O Erick levou essa foto lá no jornal hoje, viu? - Ah... é bem bonita. - O Renato é bem bonito! - É. - Sofia desinteressada na conversa abriu novamente o seu livro para ler. - Você tem o MSN dele? - Não. - E do Erick? - Também não. - Eu tenho. - Cecília debochou, conseguindo a atenção da sua irmã que parou de ler o livro para olhá-la. - Mas ele está off agora... se não eu deixava você dizer que as fotos estão ótimas. - Eu digo amanhã no colégio. - Sofia respondeu voltando a ler o livro, como se fosse pouca coisa. - Amanhã é...? - Cecília não estava tendo sucesso em provocar a irmã. O celular tremeu mais uma vez, no colo de Sofia por baixo de seu livro. Assim que ela pegou o aparelho para olhar a mensagem, Cecília já estava em pé na sua frente e puxou o aparelho da sua mão. - Você nunca recebeu tanta mensagem em uma só noite! - Ei, devolve! - Sofia reclamou assustada enquanto a irmã de celular na mão leu a mensagem. - Quem é essa Isabella?! Sofia puxou o celular da mão da irmã e conferiu a mensagem no visor: "Sô, não esquece de copiar as partituras! Beijo Isabella". Era uma mensagem inesperada de Isabella. - mas que sorte, ein Sofia! - Vamos fazer um dueto na apresentação... de Violino. - Ah, sei. Se fosse de Flauta Doce eu acharia estranho. - Cecília convenceu-se com desprezo às atividades da irmã. Sentou-se novamente na cama e Sofia voltou a ler seu livro. Mais uma vez o celular de Sofia recebeu uma mensagem, dessa vez, Cecília convencida de que a irmã estava falando com sua amiga, não se importou, e continuou admirando a foto de Renato, que estava na tela de seu computador.
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