ESA #10 - O segredo de Sofia e Erick Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Mariana Mello, em 22-03-2008 11:56
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Ao fim da aula Sofia estava sentada no banco do pátio segurando sua mochila e seu case com o violino, esperando Erick como disse que faria, mas estava entediada.
Primeiro o problema tinha sido driblar Cecília, que queria se encontrar com Joyce antes de ir para casa e ver os detalhes do passeio no shopping. Segundo que estava com fome e ia acabar perdendo o tempo de almoçar antes de ir para a aula de música... isso se não chegasse atrasada! O pátio era o centro do colégio e todo mundo passava por lá, o local já estava quase vazio quando Erick apareceu. Caminhou até ela sem pressa e parou diante da menina que o olhava séria, visivelmente cansada de esperar.
- Oi... não fiz você esperar muito, fiz? - eram vinte minutos de atraso.
- Não, eu acabei de chegar. - mentiu, estava achando que ele não vinha mais.
Erick soltou a mochila no chão e sentou do seu lado. Segurou na mão delicada de unhas pintadas de cor-de-rosa.
Sofia continuou séria, definitivamente alguma coisa estava errada. Erick tinha certeza que o problema todo tinha sido seu atraso, mas ele queria certificar-se de que ninguém o veria ali, portanto convenceu a todos a irem na frente, inventando a esfarrapada desculpa de que precisava pegar um livro na biblioteca.... o problema é que ele não contava com a enorme fila que encontrara por lá. Devia ter marcado com Sofia na biblioteca, era mais discreto!
- Eu achei que você estava namorando a Guta. - a voz de Sofia mais uma vez interrompeu suas longas indagações.
- De onde saiu isso? - surpreendeu-se a encarando.
- Foi o que a Cecília disse depois do jogo. - Sofia deu de ombros, abaixando os olhos cor-de-mel um pouco envergonhada. - Ela comentou com a Joyce também...
- A sua irmã é uma louca... - a garota o encarou de imediato, com um ar de reprovação. - Você deve saber disso melhor do que eu.
- É... a Cecy é um pouco ciumenta, mas ela não é nenhuma vilã de novela capaz de atos malucos e de pura maldade.
- Tá, nem quero falar da sua irmã... - ele sorriu sem graça. A bem da verdade era que discordava de Sofia quanto sua opinião em relação à Cecília. - Eu vim aqui pra... pra convidar você para sair domingo, depois daquela festa que vai ter.
- E pra onde? - indagou curiosa.
- Ah.... não sei. - não havia pensado nisso. - Você escolhe... não conheço nada por aqui.
- Tá bem. Posso pensar em algum lugar... Mas Erick, eu tenho uma coisa chata para te pedir.
- O que é?
- Não vamos contar nada a ninguém tá? Sobre a gente... falar qualquer coisa agora só vai gerar fofocas...
- Especialmente a Cecília. - Erick sorriu, Sofia retribuiu o sorriso finalmente. Depois se beijaram.
Ah, mas não formam um casal fofinho?!



Chegando em casa André não quis almoçar. Disse que estava com um pouco de dor de cabeça e ia deitar. Estirou-se na cama e pegou o papel pêssego da carta de Joyce, amassado, do bolso de sua bermuda. Ficou olhando para ele. O selinho em forma de coração brilhava.
Droga. Era uma carta de amor! E uma carta bonitinha, dessas feitas com todo o carinho do mundo.
No início, gostava de receber uma carta de Joyce, costumava ficar orgulhoso disso. Estavam namorando há quatro meses e agora, por causa de uma maldita coisa que fez sem pensar... pronto... tudo tinha mudado.
Gostava de Joyce, puxa se gostava! Joyce sempre fora linda, uma garota e tanto, perfeita em tudo o que fazia: desde a caligrafia até o jeito de sorrir... eles eram virgens e pensavam em perder a virgindade juntos! Como namorados de verdade fazem!
Sentiu enjôo. Droga, droga e droga.
Por quê Guta tinha que ter deixado?! Ela podia fazer como Joyce, que contorcia o corpo, se esquivava e dizia sempre "agora não estou pronta!".
Guta estava pronta! E por quê com ele?! Eles eram amigos, melhores amigos!! Sentia-se tão mal com isso...
Guta era sua amiga de infância, como uma irmã... e ele não conseguia parar de pensar em seus beijos... a maciez de sua pele, seus seios macios e rosados...
Não!
Sentou-se na cama. Não!
Não podia ficar excitado pensando em Guta. Eles eram amigos e apenas isso! Era Joyce quem ele amava... Joyce.
Abriu a carta que recebeu estourando o selo de coração posto com cuidado, mas arrependeu-se assim que viu a grafia de Joyce, caprichada e redonda, escrita em tinta azul.




(Se não consegue ver a imagem, siga o Link: http://img383.imageshack.us/img383/233/cartajoycebt2.jpg)


Assim que acabou de ler a carta André estava chorando sozinho no quarto, amassando o papel pêssego. Joyce era seu amor. Sua princesa!

- Você o quê? - Guta largou o controle do Playstation e o avatar com que jogava bateu-se contra uma parede e ficou ali parado. Adorava Need for Speed, mas a notícia era muito mais que interessante. Apertou o telefone cor-de-rosa contra a orelha delicada para escutar direito.
- Eu a beijei no corredor, logo depois de falar com a Cecília. - Erick repetiu do outro lado da linha.
- Assim, do nada?
- Assim do nada.
- Uau... estou surpresa.... ela não te bateu?
- Não... ela até me esperou depois da aula!
- E como que a Cecília reagiu? - Guta estava sentada em sua cama jogando videogame de pijama cor-de-rosa, trancada em seu quarto como fazia muitas vezes depois da aula.
- Ela não sabe, ainda.
- O quê?
- A gente combinou de nem falar nada pra ninguém por enquanto...
- Não vai dar certo ficar com uma escondida enquanto a outra dá em cima de você.
- A Cecília vai ficar na dela, Guta... agora você sabia que ela andou espalhando que a gente tava namorando?
- O quê?! Nós dois?!
- É.. depois do jogo... ontem, ela disse pra Sofia e pra Joyce.
- A Sofia quem te contou isso?
- É. Não sei da onde tiram essas idéias malucas...
- A Joyce nem comentou nada comigo... - Guta se chateou e abraçou seu travesseiro. - Tá muito estranho falar com ela depois do que aconteceu.
- Não se culpe...
- Eu quero contar pra ela...
- Não!! Você tá louca?!
- Acho que ela merece saber como o André é de verdade... e eu.
- E aí? Além de perder a amizade do André você vai perder da Joyce também? Não vai adiantar nada e pode piorar tudo, acredite.
- Eu sei, mas não consigo mentir.
- Guta, não é mentir... É por questões muito mais complicadas do que parece... estou dando um conselho, não faça isso! Se não pelo André, pela Joyce...
- É... seria injusto com ela... - torceu a boca um pouco contrariada. - É injusto ela namorar um desgraçado desses também... fala sério, Erick! Ele nem liga pra ela!
- Deixe que desse problema eles cuidam, tá? Você tem é que passar por cima disso e fingir que nada aconteceu.
- Vai ser difícil.
- Vai nada!
- E agora você vai ter bem menos tempo de ficar comigo depois da aula, já que vai começar a namorar a Sofia...
- Deixa de ser boba, Guta!
- Mas estou feliz por você, Erick... a Sofia combina com você! Nossa, isso me lembra que tenho que ligar pra Joyce e marcar de ir ao shopping, comprar as roupas pra festa... quer ir?
- Comprar roupa com um bando de meninas? Eu passo!! Sério! - eles riram.
- Nos vemos na aula amanhã... e se quer mesmo evitar que a Cecília descubra qualquer coisa, melhor evitar os corredores da escola, especialmente perto da sala do jornal!
- Eu sei! Até amanhã! Tchau!
Guta desligou o telefone e voltou ao seu jogo. Mesmo que seu coração estivesse partido por uma desilusão amorosa dolorida, estava contente porque as coisas estavam dando certo para seu amigo.


O celular de Sofia tremeu com uma mensagem de texto. Já era a terceira vez em menos de cinco minutos.
Cecília ergueu a cabeça do seu computador e olhou para a irmã que pegou o aparelho cor-de-rosa com pressa e abriu um sorriso assim que viu a mensagem.
- Quem é?
- Nada, Cecy. - Sofia mentiu com audácia e sem talento, deitada na cama preparando-se para dormir, de pijama azul enquanto lia o livro que Renato emprestara, para o trabalho de história.
As duas dividiam o quarto desde pequenas e suas camas eram separadas por uma mesinha com dois abajures. Um para cada: o de Sofia era uma nuvem com um arco-íris e o de Cecília era uma boneca amarela com um chapéu enorme.
- O que você está aprontando? - perguntou ajeitando a alça da sua camisola verde clara. Estava deitada na cama, com o laptop na tomada para não gastar bateria. - Obviamente a mensagem foi boa.
- A Isabella confirmou que iremos tocar uma suspensão no quinto compasso. - falou qualquer besteira sem o menor sentido, só para Cecília a deixar em paz.
- Hm... seja lá o que for isso. - Cecília deu de ombros, não muito convencida, virou o computador mostrando a tela pra irmã. - O Erick levou essa foto lá no jornal hoje, viu?
- Ah... é bem bonita.
- O Renato é bem bonito!
- É. - Sofia desinteressada na conversa abriu novamente o seu livro para ler.
- Você tem o MSN dele?
- Não.
- E do Erick?
- Também não.
- Eu tenho. - Cecília debochou, conseguindo a atenção da sua irmã que parou de ler o livro para olhá-la. - Mas ele está off agora... se não eu deixava você dizer que as fotos estão ótimas.
- Eu digo amanhã no colégio. - Sofia respondeu voltando a ler o livro, como se fosse pouca coisa.
- Amanhã é...? - Cecília não estava tendo sucesso em provocar a irmã.
O celular tremeu mais uma vez, no colo de Sofia por baixo de seu livro. Assim que ela pegou o aparelho para olhar a mensagem, Cecília já estava em pé na sua frente e puxou o aparelho da sua mão.
- Você nunca recebeu tanta mensagem em uma só noite!
- Ei, devolve! - Sofia reclamou assustada enquanto a irmã de celular na mão leu a mensagem.
- Quem é essa Isabella?!
Sofia puxou o celular da mão da irmã e conferiu a mensagem no visor: "Sô, não esquece de copiar as partituras! Beijo Isabella". Era uma mensagem inesperada de Isabella. - mas que sorte, ein Sofia!
- Vamos fazer um dueto na apresentação... de Violino.
- Ah, sei. Se fosse de Flauta Doce eu acharia estranho. - Cecília convenceu-se com desprezo às atividades da irmã. Sentou-se novamente na cama e Sofia voltou a ler seu livro.
Mais uma vez o celular de Sofia recebeu uma mensagem, dessa vez, Cecília convencida de que a irmã estava falando com sua amiga, não se importou, e continuou admirando a foto de Renato, que estava na tela de seu computador.


Publicado em : Livros, Romance
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Comentários (1)
Postado em Elel, em 03-04-2008 17:11, , Membro Registado
O jovem, cotidiano, e romantico plasmado com delicadeça de adolescente Bom!
 
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