| Snoop. |
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Sempre achei que milagres acontecem, mas não o tempo todo como muitos pensadores e religiosos defendam que aconteçam. Sempre achei que Deus interfere até certo ponto em nossas vidas, depois disso, nossas decisões (livre arbítrio), é que realmente definiriam e direcionariam nossas complexas vidas, tanto nos aspectos positivos quanto negativos. Em parte ainda penso assim, mas confesso, depois dessa experiência que vos escreverei algo mudou quanto ao que penso sobre milagres.
Comentei com minha esposa que achava legal arrumarmos um cachorro, primeiro para brincar com as crianças e depois pela sensação de segurança que um cão trás há casa. Resolvemos que mais pra frente arrumaríamos um cãozinho. Pois bem, num dia desses,enquanto percorria o caminho que leva há escola onde nossos filhos estudam, minha esposa avistou vários cachorrinhos soltos pela rua, eram oito ao total, todos abandonados. Ela não pensou duas vezes, foi à oportunidade certa para adotarmos um cãozinho. Escolheu um dos oito e voltou para casa com as crianças que ela fora buscar e com o mais novo integrante da família, o Snoop. Snoop era um cachorrinho lindo de cor preto e com o peito pintado de branco. Chegou pulando e fazendo festa, parecia que já conhecia todos da família. Todos os cuidados necessários para que o cachorrinho, que tinha no máximo uns quarenta dias, ficasse bem foram tomados. Compramos uma ótima ração, vermicida, minha esposa improvisou uma casinha para que ele não ficasse exposto ao sereno da noite e tudo mais que fosse necessário. No dia seguinte, minha esposa procurou saber se realmente o cachorro não pertencia a ninguém, se fora mesmo abandonado, e acabou por descobrir que ele tinha fugido, junto com os irmãos e sua mãe. O dono da cadela e seus filhotes, disse que eles haviam fugido um dia antes e que ele não se dera conta da fuga. Disse também, que estava mesmo querendo se livrar dos cachorros e que minha esposa poderia ficar com o Snoop, pois não importava a ele. Pronto, consciência limpa. Em dois dias ele se tornará o xodó da casa. Todos meus filhos se apegaram muito a ele, minha filha mais nova ficou doida com o bichinho, não fazia mais nada a não ser correr de um lado pro outro paparicando o animalzinho. Mas como toda estória verdadeira precisa de um final “real”, passado três dias, ele começou a adoecer. Não queria mais comer, babava muito, soltava uma espuma branca pela boca, tinha uma incrível dificuldade em parar em pé e quase não tinha forças nem para respirar. Ficou assim durante dois dias, no final do segundo dia, mesmo depois de muita luta por parte do Snoop e também por parte da minha esposa ele não resistiu é morreu. Todos sentiram muito pela morte do cãozinho bonito e brincalhão que há poucos dias chegará a casa, mas minha esposa ficou arrasada. Começou a culpar-se e a achar que tinha feito mal ao cãozinho por tê-lo tirado de perto de sua mãe, que tinha adoecido porque ainda era muito filhotinho e não devia ter sido afastado de sua mãezinha. Nada há convencia do contrario até que conversando com um especialista ele disse que por ter ficado na rua o cão provavelmente havia contraído uma doença chamada “Cinomose”, uma doença altamente contagiosa provocada pelo vírus CDV (Canine Distemper Virus) ou Vírus da Cinomose Canina. Ele disse que essa doença é terrivelmente fatal para o cachorro e que é muito difícil a recuperação. No caso do Snoop, por ser ainda um bebê, a sua recuperação era praticamente impossível. Isso melhorou um pouco o ambiente dentro de casa, pelo menos agora a minha esposa já não se culpava tanto e ate levantou uma teoria que me motivaria a escrever esse texto. Sentada na sala ela me contou que ficará sabendo que mais duas pessoas haviam pegado outros três cachorrinhos irmãos do Snoop, e ambos morreram da mesma maneira, mais curiosamente, todo dia ela passava em frente a casa onde ficavam os cachorros e tanto a mãe quanto os filhotes que literalmente “sobraram”, três ao todo, estavam muito sadios e espertos. Com um semblante tranqüilo, ela olhou-me nos olhos e disse certa de suas palavras: _Certamente o Snoop e os outros cachorrinhos que foram pegos pelas pessoas que passavam pelo caminho da escola naquele dia já estavam doentes. Deus deve ter permitido a fuga de todos para que só os doentes fossem adotados e com isso os outros que ainda não tinham contraído Cinomose se salvariam, pois não se contaminariam. Fiquei surpreso com esse ponto de vista, na verdade fiquei comovido; não só com o ponto de visto abordado, mas com a bondade de Deus clareada aos meus olhos pela fé da minha esposa. Se Deus é capaz de fazer algo tão especial e tão bem arquitetado para salvar quatro vira-latas, o que ele não faria para nos salvar? Isso me pos a pensar que milagres podem estar acontecendo agora em nossas vidas e por estarmos sempre tão focados em detalhes sem a mínima importância e que não acrescentam nada de substancial em nossas existências, não percebemos o quanto Deus esta do nosso lado. Snnop era um cachorro bem comum, um vira-lata qualquer, mas que pode ter feito parte de um plano que salvou no mínimo quatro vira-latas fujões e mais um vira-lata que há muito tempo não acreditava em milagres.
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