A maldição da moeda - pt. 1 - Encomenda Indesejada Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Fábio Ribeiro dos Santos, em 07-06-2008 18:24
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Pedro chegara de viagem poucas horas atrás. Queria cair em sua cama macia. Ficara preso tempo demais naquele assento do avião.

Abriu a porta do seu apartamento. Jogou sua mochila num canto e foi para o quarto. Tirou o tênis. Estava pronto para dormir vários dias sem parar.

De repente flashes de memória voltaram a sua cabeça. Fazia uma careta a cada flash, mesmo estando de olhos fechados. Lembrava-se do que fizera. Não era da sua índole trair a namorada que morava a duas quadras do seu prédio.

Mas quem resistiria seis meses fora do país sem o carinho de uma mulher? - ele pensava.

Aquilo era passado agora. Voltaria à vida normal no dia seguinte. Izy nunca precisaria saber daquilo. Fechou os olhos e tentou dormir, mas a campainha tocou. Abriu a porta com os olhos semi-cerrados. Era o zelador.

- Encomenda para você, meu filho. O carteiro disse que era urgente!

Pedro pegou a caixa e a jogou no canto onde a mochila já repousava.

- Onde eu assino?

- Não há formulários. A caixa diz Tailândia.

- Obrigado senhor Liagui. - disse Pedro fechando a porta.

Estava pronto para voltar para sua cama, mas parou por um instante. Como alguém da Tailândia poderia saber seu endereço? Abriu a caixa e achou uma moeda de ouro talhada com a palavra RIP embrulhada em um papel branco. Junto dela havia um bilhete: "Faça um pedido".

O pouco de experiência que trouxera daquele país distante o fez jogar a moeda longe. Correu para o seu laptop e pesquisou sobre moedas da Tailândia. Num site pessoal de homem chamado Tihu estava a foto da moeda que recebera. Ali dizia: "Moeda dos desejos. Faça um pedido e fique condenado. Se não passar a moeda em 24 horas para alguém que a queira receber, a morte lhe tira a alma."

Pedro fechou os olhos. Acabara de receber uma moeda sem recusar. Alguém queria lhe pregar uma peça ou realmente tinha deixado coisas inacabadas em suas férias?

Riu quando pensou que poderia dar a moeda para o tio Smurf. O ricaço com uma doença que deixava a pele azul morreria em 24 horas e nunca mais o incomodaria para que se casasse com sua prima. Foi então que parou e finalmente conseguiu abrir os olhos com vontade. E se fizesse um pedido à moeda e depois a entregasse a quem mais odiava?

Parecia simples. Quem recusaria uma moeda com poderes mágicos?

Segurou a moeda e simplesmente falou em voz baixa: - Quero esquecer de Ussa, a garota que me seduziu na Tailândia.

Pedro instantaneamente esqueceu de Ussa. Embora lembrasse de todo o resto.

- Droga. Agora tenho que me livrar da moeda. Só queria algumas horas com a cama.

Pedro lembrava que havia feito um pedido. Queria se esquecer de alguém, mas agora não lembrava quem. Então teria dado certo...

Desceu dois andares e bateu na porta do 512.

Um homem gordo atendeu.

- Jumbo. Digo Jubo, quanto tempo.

- O que veio fazer aqui, idiota?

- Te dar um presente. Acabo de chegar de viagem. Te trouxe uma lembrança. É tipo uma moeda dos desejos. Faça um pedido e ele se realiza. Isso é para pedir desculpas por aquele soco, você sabe...

Pedro sabia que Jubo era supersticioso e que não recusaria presentes nem do seu inimigo.

- OK. - disse Jubo no tempo suficiente para pegar a moeda da mão de Pedro e bater a porta na cara dele.

- O problema agora é seu meu caro. - Pedro pensou.

Voltou para cama. Acordou 24 horas depois. Nunca havia dormido tanto em toda sua vida. Olhou no relógio. Estava vivo.

Só o que podia ouvir eram tiras no lado de fora de seu Apê interrogando os vizinhos.

Conseguiu ouvir alguma coisa: - Você sabe se Jubo tinha motivos para ser esfaqueado até a morte por uma mulher loira?

Continua...


Publicado em : Literatura - Contos, Ficção
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