ESA #22 - Sofia não é mais a mesma Imprimir Enviar para um amigo
Avaliação desta obra: / 1
RuimÓtimo 
 
Escrito por Mariana Mello, em 25-07-2008 16:00
Avaliação média    (0 voto)
Visitas 6660    
Favoritos 2

Naquela manhã de segunda-feira, Sofia ficou esperando Erick no portão que dava acesso para a sala do jornal da escola. Calça jeans cinza, sandálias e a camiseta do uniforme escolar. Os cabelos soltos e lisos. Apertava nos braços a sua pasta fichário e seus livros. Estava nervosa e não conseguia evitar bater as pontas do dedo no fichário, esperando o tempo passar... e parecia que não passava nunca.

Viu quando Erick entrou pelo pátio, segurando sua mochila e bocejando, com sono. Estava de calça xadrez amarela e preta, com seus coturnos de sempre, com uma camiseta preta de mangas compridas por dentro do uniforme da escola. Só parou de andar quando alcançou Sofia.

- Bom dia. - Sofia sorriu, contente por vê-lo finalmente.

- Oi... - respondeu procurando não encará-la. Ocupou-se em abrir o cadeado do portão, que ficava sempre entreaberto.

- Fiquei esperando você me ligar ontem.

- Tava me sentindo mal, to meio gripado. - não que fosse mentira, mas também não era de todo verdade. Não queria ter encontrado com ela ontem e por isso não se preocupou em ligar e nem em responder nenhuma mensagem.

- Ah... - Sofia fez meio sem graça, porque notou que ele não estava a fim de conversa. - E fora isso tudo bem?

- É. - abriu o portão para eles.

- E posso saber por que o mau-humor? - Sofia passou na frente e parou, de frente para ele, segurando o portão.

- Eu não estou de mau-humor. - a encarou, finalmente. Droga, o que ia dizer para Sofia?

Ela estava ali, na frente dele parada esperando que ele dissesse ou fizesse alguma coisa, mas Erick nem sabia por onde começar. Estava se sentindo estranho do lado dela.
- Você está estranho desde sexta. - foi direto ao ponto, porque Sofia não curtia enrolação.

- É, eu sei.... - foi sincero. Sofia ergueu as duas sobrancelhas esperando uma explicação, mas Erick continuou calado.

- Eu já pedi desculpas. - Sofia insistiu.

- Não... é que.... - droga. Erick nem sabia o que dizer. - Vai passar até o fim do dia, tá?

- Erick você não sabe nem mentir. - Sofia o encarou, falando com a voz endurecida, nitidamente brava. - Trate de me dizer o que está acontecendo, por que ninguém trata a namorada assim só porque viajou no fim de semana. - estava chateada acima de tudo, porque esperou o fim de semana inteiro para estar com ele, e ele nem ao menos lhe dera um beijo quando a viu.

- É que... não é nada. Você cismou a toa. - Erick disse, mas era mesmo péssimo em mentir e estava óbvio para Sofia que ele não era mais o mesmo.

- Certo, eu e minha cisma nos retiramos da sua frente. - e deu as costas bruscamente, irritada.
Erick a segurou.

- Peraí, Sofia. - e fez com que ela virasse para ele. Sofia o encarou com seus olhos castanhos esverdeados, ainda esperando pela explicação. - O problema não é com você, não me leva a mal... eu só estou confuso.

- Confuso sobre a gente?

- É... - confessou enfim.

- Por quê?

- Eu não sei!

- Olha você mentindo pra mim de novo! - Sofia estava irritada. - Eu achei que de todo mundo você seria o primeiro a dizer a verdade, Erick, confiei em você e achei que fosse sincero.

- Eu tentei! - também se irritou. - Te falei coisas que não contei pra mais ninguém.

- Então me conta agora também! Acho que mereço um mínimo de consideração da sua parte.
Erick suspirou. Mas que droga...

- Eu fiquei com outra menina lá no Hotel, foi isso.

Sofia perdeu a cor, um misto de surpresa e raiva. Era decepção. Abaixou os olhos, chateada.

- É, a Cecília tinha razão sobre você. - o que disse foi cruel, mas era exatamente o que estava sentindo naquele instante.

- Não foi nada, nem vou ver a menina de novo, nem nada...

- Ah, cala a boca, Erick! - o encarou com as sobrancelhas arqueadas de raiva. - Você é irresponsável e egoísta. - e dito isso, passou por ele saindo pelo portão que ainda estava aberto.

- Sofia espera! - ele a chamou, mas isso só fez Sofia começar a correr para longe. - Que merda...

Sofia entrou correndo no banheiro feminino, assim que passou pela porta apressada, encarou Cecília que passava gloss nos lábios. Estavam vestidas diferentes aquele dia, Cecília usava uma calça de algodão cor-de-rosa e tênis.

- Sô? - Cecília perguntou assustada, quando sua irmã gêmea a abraçou, começando a chorar. - Sô o que aconteceu?

Mas Sofia não respondeu, continuou soluçando abraçada com ela. Cecília a abraçou também, deixando que a irmã chorasse até se acalmar, porque sabia que depois que estivesse mais calma, ela ia contar tudo o que estava acontecendo.

Guta sentou-se na sua carteira e notou que Erick estava faltando, o que era estranho porque ele sempre chegava mais cedo por causa da reunião semanal do Jornal. Ficou imaginando como seria a reunião, com Erick daquele jeito por causa de Joyce... não evitou em dar uma risadinha, estava torcendo mesmo para Erick e Joyce ficassem juntos, porque assim André seria só dela!

Foi bem nessa hora que André chegou, abraçado com Joyce estragando todos os seus pensamentos felizes e cor-de-rosa. Certo... até parece que alguém poderia separá-los! Eram o casalzinho vinte da escola. Nada podia estragar o amor dos dois, nem Erick e nem ela.

O sorriso se fechou de imediato, e para não parecer interessada nos dois, tratou de abrir o caderno de matemática, para fazer os exercícios atrasados.

- Oi Guta. - André sentou-se e Joyce também, calada, o que não era normal.

André estava de bermuda e tênis sem meia. Joyce, de calça preta de cetim e sapatos de verniz, vermelhos, como se fosse a Dorothy do Mágico de Oz.

- Bom dia. - Guta disse sem se mexer, procurando não encará-los naquela manhã. - E aí como foi a viagem?

- Foi legal. O que você fez esse fim de semana?

- Estudei, depois fiquei jogando vídeo-game com o Erick... notícias reveladoras. - disse distraída. Joyce virou-se para ela quase que imediatamente e foi quando Guta percebeu que deu uma bola fora de novo.

- Ah, legal... quando vocês vão assumir que estão namorando? - André perguntou, intrometendo-se nos relatos de Guta, porque achou que as notícias tinham a ver com a conversa que tivera no quarto com Erick, a qual Guta na realidade desconhecia.

- Não estamos namorando e você sabe. - Guta o encarou, meio irritada.

- Ele comentou algo sobre a Sofia mesmo... - Joyce deu de ombros, tentando parecer tranqüila, mas Guta que sabia de seu segredo, notou que ela estava nervosa.

- Bom dia gente. - Renato entrou na sala, aproximando-se deles. Sentou-se em sua carteira. - Ué, cadê o Erick?

- Acho que a reunião do jornal atrasou. - Guta comentou, sorrindo.

- E como foi o fim de semana? - Renato quis saber de todos.

- Eu fiquei estudando. - Guta foi a primeira a responder o amigo.

- A viagem foi legal. - André foi o segundo a dizer alguma coisa. - Não foi, Joyce?

- Ah, sim... - a garota concordou meio sem graça.

- Pena que não deu para ver uma daquelas cachoeiras, você queria tanto ver... prometo que da próxima vez te levo em uma!

Renato se arrependeu de ter perguntado e revirou os olhos, impaciente com o dengo de André para cima de Joyce.

Guta ficou os observando, queria ver qual era a reação de Joyce. Estava achando a história toda muito divertida e propícia para seus interesses.

- Eu dei uma volta sozinha pelo hotel antes de sair e pude ver uma cachoeira que tinha no lago. - disse, procurando parecer desinteressada e que fosse a coisa mais normal do mundo fazer isso. Seria, se estivesse mesmo sozinha.

- Você não me contou. - André observou.

- Devo ter esquecido. - Joyce fez parecer algo sem importância e abriu o caderno também.

O sinal da aula bateu e assim que a professora entrou na sala, Erick entrou logo atrás, com uma cara horrível.

Joyce assim que o viu, procurou ignorá-lo, mas sentiu borboletas por toda sua barriga, seus pelos do braço arrepiaram de imediato. Abaixou a cabeça em direção ao caderno e nem deu bom dia.

- Puxa, achei que você ia perder a aula! - André comentou assim que ele se sentou.

- É, tentei. - Erick respondeu de mau-humor. - Mas aquela coordenadora nariguda me viu.

- E aí como foi a viagem? - Renato quis saber, curioso.

- Uma merda.

- Ah, deve ter tido uma coisa legal, no meio de tudo... - Guta provocou.

Joyce percebeu sua provocação, mas ficou quieta, para não dar bandeira, especialmente porque a resposta de Erick a chateou de imediato.

- Eu estou de castigo, aliás, uns três acumulados já. - Erick respondeu a provocação procurando mudar de assunto. - Acho que não vou poder sair de casa, ver televisão e sei lá o quê por um século...!

- Putz Erick, que droga... - Renato comentou. - Eu nunca fiquei de castigo.

- Ah, para... - Guta surpreendeu-se. - Eu fico às vezes.

- Eu fico às vezes também. - André continuou, divertindo-se com a situação. - Mas é a Joyce quem me coloca!

- Ei, eu quero prestar atenção na aula. - Joyce comentou, irritada. Claro que sua irritação não era com os castigos de ninguém.

Todos se calaram após a bronca. A aula passou arrastada.





Sofia estava se explodindo de chorar. Cecília já estava até impaciente, sentada de frente para a irmã, ambas em seu quarto, já em casa. Furaram as aulas daquela segunda-feira.

- Sofia, deixa ele pra lá, é um idiota.

- Eu sei que ele é um idiota...

- E eu te avisei que ele era.

- Eu sei...

- Da próxima vez me ouve, ao invés de ficar chorando por quem não te merece.

- Não esperava isso dele...

- Você nem conhece ele direito, Sofia! - Cecília foi sincera, estendeu a caixa de bombom para sua irmã. - Come mais um chocolate, você vai se sentir melhor.

Sofia pegou um bombom da caixa dourada em forma de coração que Cecília tinha comprado antes de irem para casa.

- Eu não arrumo nenhum namorado decente! - reclamou, enfiando o bombom inteiro na boca, em revolta. Mordeu com força.

- É, suas últimas tentativas tem sido um fiasco, mas isso é culpa sua.. o que você queria esperar de um menino que se veste daquele jeito? Óbvio que ele não bate bem da cabeça.

- Fiquei tão preocupada em não querer que ele me confundisse com você, como os outros fizeram... que esqueci das outras meninas!! Sou uma burra!

Cecília a abraçou.

- Sô, se você quiser a gente nem se veste igual... assim ninguém vai confundir a gente, mas eu gosto de me parecer com você... tá certo que as vezes isso me irrita, mas eu gosto.

- Toda vez que me confundem com você, dói, Cecy... o Erick não confundia, achei que ele era diferente...!

- Ele é um Alien, de tão diferente, Sofia, anda, para de pensar nele. - Cecília ficou em pé. - Eu já sei do que você precisa!

- Do quê? - Sofia encarou a irmã com sua cara vermelha de tanto chorar.

- Um corte de cabelo, quem sabe pintar também.

- Você não gosta de pintar o cabelo, por isso a gente nunca pintou.

- Não to falando de mim, sua boba, estou falando de você. A partir de hoje vamos ser irmãs gêmeas, mas vamos ser diferentes! Assim você não precisa achar que o Erick é o único cara do mundo que enxerga você... fala sério.

- É... você tem razão... acho que me apeguei a ele por isso...

Cecília sorriu. Tudo bem que nem sempre estava assim tão disposta a ajudar Sofia a se sentir melhor, mas realmente Erick tinha ido longe demais, e isso acendeu em Cecília um lado de irmã protetora que nem sempre aparecia. Ia proteger Sofia daquele imbecil a qualquer custo.






No intervalo a escola inteira comentava que Erick e Sofia estavam namorando. Isso era porque o Jornal da escola, impresso toda segunda-feira, trazia a matéria de Cecília sobre o beijo perfeito, estampada pela foto que Erick e Sofia tiraram no parque, na semana anterior. Era uma grande ironia o comentário persistir pelos corredores, bem quando eles estavam brigados.

- Não dá vontade de beijar o Erick nessa foto? - Guta perguntou, com o jornal aberto, sentado ao lado de Joyce, ambas lendo a matéria. A pergunta é claro, era uma tentativa de Guta de arrancar a verdade de Joyce. Joyce nunca contava nada pra ela e isso a irritava.

- É... - Joyce fingiu interesse, porque estava com vontade de queimar todos aqueles jornais malditos! Por que o beijo perfeito não era dela com André? Por que tinha que ser de Erick?! Isso era horrível, especialmente que por mais que tentasse, não conseguia esquecer daquele desastre de fim de semana. Espiou André e Renato que jogavam basquete na quadra, perto do banco de cimento onde estavam. André era um imbecil, lá estava ele de novo se distraindo enquanto ela ficava pensando em outro... idiota!

Erick sentou-se do lado de Guta, com ares irritado.

- Ficou ótima a matéria, a foto então nem se fala... tá todo mundo dizendo que vocês tão namorando. - fofocou, assim que o viu. - O segredinho de vocês já era...!

- Que merda. - Erick cruzou os braços. - A Sofia nem quer falar comigo.

- Por quê? - Guta indagou e Joyce encarou seus sapatos vermelhos, desejando que pudesse ir para casa. Bateu os pés três vezes, mas continuou na escola.

- Briguei com ela hoje cedo, quer dizer... ela brigou comigo. - resmungou. - Não sei por que ela pede pra saber da verdade se é pra isso...

- Você contou pra ela? - Guta perguntou, esquecendo que Joyce estava do lado dela.

- Você contou pra ela? - Joyce perguntou referindo-se a Guta e apontando pra amiga com seu dedo fino.

- Não contei tudo! - respondeu para as duas.

- Boa, Erick! - Joyce irritou-se, ficando em pé. - Espero que esteja se divertindo! - e deixou os dois sozinhos, batendo os sapatos vermelhos, andando para fora da quadra esportiva.

- Ai... - Erick cobriu o rosto com as mãos. - Saco. - Agora Joyce estava irritada com ele também, mas ela também tinha sua parcela de culpa nisso tudo!

- O que você contou para a Sofia?

- Disse que conheci uma menina e fiquei com ela, mas que era algo sem importância... ela ficou chateada e brava. Depois disso nem ela nem a Cecília foram à sala do jornal... e pra piorar, agora no intervalo eu tentei ir na sala da Sofia, mas ela não estava lá. Já tentei ligar no celular e nada, também.

- Por que você falou isso pra ela?! Era óbvio que ela ia brigar com você!

- Eu não sei mentir, ela percebeu que tinha algo errado...

- Que confusão enorme! - Guta riu. - Parece novela.

- Para com isso, Guta, não tô achando graça.

- Então é isso? Você vai tentar fazer as pazes com a Sofia?

- Vou.

- E a Joyce?

- O que tem a Joyce?

- Não vai ficar com ela?

- A Joyce gosta de verdade do André, você sabe.

- Isso é questão de tempo, o André vai largar dela pra ficar comigo. Você podia aproveitar e ficar com a Joyce.

- Não quero nem pensar nisso! - e estava tentando evitar pensar em Joyce desde então. Revirava seu estômago toda vez que lembrava daquele fim de semana, de um jeito horrível. André ainda por cima, era seu irmão agora. Droga... tava tudo do avesso.

- Você troca de namorada muito depressa, Erick! - Guta estendeu o jornal em sua frente novamente, para esconder a risada, divertindo-se com a confusão. Para Guta, as coisas não poderiam ter ficado mais simples: Joyce ficava com Erick e ela ficava com André.

O cabeleireiro rodopiou a cadeira de Sofia, virando-a para frente do espelho. Sofia levou um susto: seus cabelos estavam cor-de-rosa e batiam na altura do ombro, lisos.

- Ficou... diferente. - disse.

- Está horrível! - Cecília sentenciou, torcendo o nariz.

Sofia sorriu, era exatamente o que queria: que Cecília nem pensasse em se parecer com ela nunca mais! Era um grande alívio poder ser ela mesma... embora ainda não tinha certeza de que ser ela mesma significava ter cabelo cor-de-rosa.

Levantou-se da cadeira, sentindo-se bem melhor do que estava quando sentou. Cecília estendeu sua bolsa verde de volta para ela e ambas dirigiram-se para o caixa pagar pelo cabelo novo de Sofia. As duas foram para uma loja de roupas, munidas do cartão de crédito de seus pais. Passaram o dia inteiro fazendo compras e se divertiram como irmãs, coisa que não faziam há muito tempo.

No fim, quando estava quase anoitecendo, sentaram-se na praça de alimentação para tomar um café. Deixaram as sacolas nas cadeiras restantes da mesa que pegaram e sentaram-se uma de frente para a outra.

- Você ta engraçada com esse cabelo rosa...! - Cecília comentou. - Toda vez que olho pra você levo um susto!

Riram juntas. Sofia ouviu seu telefone tocar e tirou o celular da bolsa. Seu sorriso leve e divertido sumiu.

- Droga, é ele...

- Desliga. - Cecília deu de ombros.

- Já tem quarenta e duas ligações perdidas... - falou olhando para o visor. Demorou para se decidir e o telefone parou de tocar, marcando quarenta e três.

- Desliga o celular, amanhã você já vai ter que encontrar o traste na escola mesmo!

- É... - mas Sofia queria ter atendido, porque queria saber o que Erick ainda tinha para dizer em uma altura dessas. Certamente estava atrás dela para resolver a situação de uma vez. Ela apenas correra para longe e fugiu, não disse nada.

O telefone tocou de novo.

- Sofia, desliga logo. Não adianta nada cortar o cabelo e mudar se você não mudar dentro de você! - Cecília falou, já irritada porque Erick não parava de ligar. Sua irmã era coração mole e ia uma hora acabar atendendo, só para sofrer mais, de novo.

- Eu quero saber o que ele quer. - dito isso, Sofia apertou a tecla para atender a ligação e levou o celular na orelha. - Alô!

Um segundo de silêncio ficou, ela insistiu:

- Alô?

- Sofia? - era Erick - Achei que você nem ia atender...

- Depois que você ligou quarenta e quatro vezes, fiquei curiosa para saber o que você acha que ainda tem pra me dizer.

- Eu queria conversar com você.

- Já conversamos.

- Não conversamos e você sabe...

- Erick, depois de me tratar daquele jeito, o que você acha que ainda tem pra conversar? Você me traiu, eu já entendi, estou seguindo minha vida, não quero nada com você.

- É isso mesmo que você quer?

- É, Erick. É isso mesmo. - foi resistente. Não ia cair no papo de Erick, ele era igual a seu ex. Um mentiroso e enganador.

- Ok, desculpe ter ligado tantas vezes. Vou te deixar em paz.

- Obrigada. - e desligou a ligação. Encarou Cecília que estava curiosa, para saber o que eles estavam conversando. - Ele disse que vai me deixar em paz. - Largou o celular dentro da bolsa. - Não quero nunca mais ter que olhar pra esse otário, na vida.

- Isso é fácil! - Cecília riu. - Bem feito, isso é pra aprender a ser gente antes de se misturar conosco. Otário.

- Certeza... - Sofia concordou, não tão certa assim, porque já se arrependia de tudo o que tinha dito para Erick. E ainda tinha a maldita cartola que ia ter que devolver!

Mas Cecília não permitiu que ela se chateasse novamente, e ficou reparando em todos os garotos que passava, tentando adivinhar qual seria o nome deles, ameaçando vez ou outra se levantar para conhecer e apresentar para Sofia.


Publicado em : Livros, Romance
Quote this article in website Favoured Send to friend

Comentários (0)

Nenhum comentário

Adicionar comentário

< Anterior   Próximo >