| Escrito por Arostegui, em 29-07-2008 21:07 |
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Betina acordou com um susto. Era outono.
Em, diante da janela, segurou uma forte ânsia cardíaca que lhe subiu pela garganta quando viu na calçada de frente algumas as crianças que brincavam. Os gritos e as risadas infantis fizeram com que ela fechasse com força a janela, travando-a logo depois.
Na meia hora seguinte, Betina tomou seu banho de costume, lavando os cabelos com xampu neutro, pois não gostava de cheiros fortes. Passou um sabonete esfoliante pelo corpo, dedicando-se mais aos pés e cotovelos. De frente ao espelho escovou os dentes, de maneira circular, da esquerda para direita; se penteou e passou uma pequena quantidade de lavanda nos punhos e atrás das orelhas.
á de volta ao quarto, escolheu uma roupa que comprara no dia anterior. “Vou colocar minhas botas roxas.” – pensou enquanto abria o armário dos sapatos. Tinha mais de 50.
Pisando de leve foi até a cozinha. Na geladeira pegou suco de laranja e encheu o copo até a borda. Voltando-se para uma das gavetas, tirou um a um alguns vidros que estavam no meio de panos de prato e guardanapos de pano que tinham sido de sua avó e enfileirou-os na mesa ao lado do seu suco. Sentada, passou a tirar cinco comprimidos de cada um dos vidros. Depois os engoliu, junto com a laranja.
Lavou o copo antes de se sentar no sofá da sala. Ela podia sentir o vento frio da estação insossa batendo na sua porta. As crianças ainda brincavam na calçada, agora os gritos eram mais fortes e as risadas mais irritantes.
Foi encontrada morta três dias depois, pela diarista.
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