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Avaliação desta obra: / 5
RuimÓtimo 
 
Escrito por Nildon da Silva de Figueiredo, em 06-08-2008 19:48
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Colocou um pouco mais de cola branca na mistura de água e pedaços de papel. Misturou com afinco até que conseguiu uma pasta bem consistente e homogênea. Retirou um pouco da mistura e moldou uma bola espremendo para retirar o excesso de água. Fez isso algumas outras vezes moldando a massa em formas variadas. Aos poucos juntava os pedaços formando uma figura que logo lembraria um boneco. Ficou horas fazendo isso. Quando se deu por satisfeito tinha em sua frente uma figura bípede de mais ou menos 30 cm de altura. Esperou ela secar mais e quando achou que ela estava seca o suficiente, cobriu-a com cola branca. Quando terminou, largou-a para secar e foi dormir. No dia seguinte acordou cedo e conferiu o seu boneco. Estava seco como planejara. Pôs-se a pintá-lo. Sabia exatamente quais cores utilizar. Sabia quais desenhos gravar naquele boneco. Passou o dia todo fazendo isso. Quando a noite já ia alta, olhou para o boneco recém pintado e deu por concluída a pintura. Foi dormir. Levantou pouco antes do sol nascer. Era o terceiro dia em que iria mexer naquele boneco. Colocaria seus olhos feitos com minúsculas bolinhas de vidro pintado e o cabelo de material sintético. Resolveu dar um acabamento mais perfeito na sua obra e isso lhe tomou o restante do dia. No final, tinha uma miniatura humana quase que perfeita, porém, para ele ainda faltava algo. Resolver ir descansar.
O quarto dia de trabalho começou tarde, pois uma chuva que caía forte embalou seu sono e fez com que ele acabasse por perder quase toda a manhã. Começou a mexer no boneco por volta das duas da tarde e ficou examinando e pensando o que acrescentar a ele durante horas. Quando decidiu, caminhou até seu armário e conferiu se tinha o que precisava. Não tinha. Resolveu então que a obra estava quase pronta, não ira mais modificá-la. Não estava como ele gostaria. Imperfeita era ela, porém, era o melhor que ele podia fazer com aquilo que ele tinha. Conformou-se. Ficou olhando o boneco. Sua expressão era triste. Seus olhos de vidro davam-lhe um semblante vazio. Seu corpo de papel machê era cheio de curvas, reentrâncias e imperfeições. Ficou horas listando os defeitos de sua obra. Quando percebeu já era noite alta. Sorriu. Lembrou-se que faltava dar um título à sua obra. Resolveu dar-lhe um nome que resumisse bem suas características. Chamou-lhe de Homem e após isso lançou-o para o alto. No curto espaço de tempo entre a altura máxima e o chão, que lhe quebraria, o boneco teve o que pode se chamar de vida.


Publicado em : Literatura - Contos, Diversos
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Comentários (2)
Postado em Liz, em 08-08-2008 03:34, , Membro Registado
Gostei muito!
 
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Postado em marcosoliva, em 07-08-2008 04:37, , Membro Registado
Belo texto. 
Parabéns.
 
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