Museus: presente e passado. Imprimir Enviar para um amigo
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Escrito por Nildon da Silva de Figueiredo, em 06-08-2008 20:16
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Quando pensamos em museu dificilmente nos lembramos de duas características significativas dele ao me ver: lugar de regaste da memória e da ideologia por trás dele. Geralmente o vemos como lugar de resgate do passado, entendido na sua acepção cronológica - ao menos é essa visão que a maioria das pessoas com quem já conversei me passaram.
As tendências museográficas mais recentes entendem conservação como sinônimo de resgate, reabilitação e reapropriação, extrapolando a missão de, simplesmente, salvaguardar patrimônio material.
Mario Chagas nos diz o seguinte sobre os museus: "Os agentes museais confrontam-se sistematicamente com dois movimentos de memória: um que se dirige ao passado e lá se cristaliza - como lembrança que aliena e evade o sujeito de si e do seu tempo, lembrança reificada e saturada de si mesma e por isso sem possibilidade de criação e inovação - e outro que se orienta para o presente". Essa passagem invalida a acepção de museu como guardião do passado, uma vez que o lapso de tempo passado faz com que haja perda de sentidos e significados. Os objetos guardados perderam seu sentido e seus contextos originais, desse modo o passado não pode ser aprisionado nos museus. Explico melhor: pegamos um pente, objeto de uso comum, diário, que tem uma finalidade específica de arrumar os cabelos. Agora pegamos um pente que, por exemplo, pertencia à princesa Isabel. Pronto, só pelo fato dele ter pertencido a alguém de relevância histórica para o país, esse pente passa a ser objeto de museu. Bom, agora pegamos esse pente, alguém aí pensa em usá-lo como pente quando o vê exposto no museu? Óbvio que não. Pronto o objeto perdeu seu significado original, perdeu sua função. Dessa forma saiu de seu tempo.
Agora continuamos com esse exemplo, quem definiu a princesa Isabel como figura relevante? A resposta é simples, a sociedade intelectual atual. Ponto, dessa forma o resgate do passado está sendo feito no presente, por interesses atuais. Assim ao guardar o pente não estamos preservando o passado, e sim criando uma história presente. Não há resgate, há criação. Isso pode ser visto dentro da Alemanha pós-holocausto, depois de muito se desculparem pelas atrocidades cometidas pelos nazistas, a sociedade atual decidiu enterrar o passado e começar a criação de uma nova mentalidade alemã, desvinculada da II Grande Guerra.
Isto posto, fujam do senso comum de que lugar de passado é no museu, e passem a visitá-los com mais freqüência. E façam a história acontecer.


Publicado em : Crônicas, Crônicas
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