Carta Aberta Imprimir Enviar para um amigo
Avaliação desta obra: / 1
RuimÓtimo 
 
Escrito por Nildon da Silva de Figueiredo, em 18-08-2008 22:01
Avaliação média    (1 voto)
Visitas 1409    
Favoritos Nenhum

Estava cá absorto em pensamentos quando recebi uma carta um tanto interessante. Dessa forma resolvi aqui postá-la:

"LUGAR (não divulgado para preservar a fonte), 24 de março de 2008.
Olá caríssimo Nil, envio-lhe essa missiva para que me faça dois favores. Sei que não sou conhecido por pedidos, e sim por ordens ou sugestões, mas a situação atual me impôs essa prática.
Há muitos anos muitas coisas foram e são ditas ao meu respeito, quase todas de forma desagradável e desabonadoras à minha pessoa. Não, não estou reclamando disso, uma vez que esse fato foi, e é motivo de orgulho ao longo dos anos. Mas o que está acontecendo nos últimos tempos, deixou-me realmente preocupado.
Percebo que cada vez mais, pessoas utilizam meu nome e imagem de forma caricatural, mais que isso, utilizam eles como símbolo de uma rebeldia, que só tem paralelo com as birras mais pueris que já existiram.
Nos bons tempos, eu era acusado, e não nego de que tinha grande orgulho disso, de ser um grande amante e de desvirtuar as mentes das mulheres, que eram simplesmente chamadas de bruxas (o que não devia ser levado a sério, ainda mais que o apelido vinha de homens que usavam saias). A simples menção do meu nome causava medos e pesadelos que duravam dias. Pessoas se batiam para evitar minhas influências.
Os tempos passaram, e o respeito a minha figura diminuiu. Tive que me adaptar, aceitando até mesmo seguidores que usavam, veja só, calças coladas e que, pior de tudo, faziam chapinha! Agüentei tudo isso de forma calada, pois tinha em minha mente a certeza que um dia conquistaria o respeito novamente. O tempo, sempre ele, continuou passando e tive até mesmo vinculado meu nome a apresentadoras infantis. Principalmente as loiras, sabe, tenho que confessar que tenho uma queda por elas, mas isso não era motivo para me associar a músicas envolvendo bichinhos fofos. Para que eu gostaria de seguidores que para acender uma vela precisavam de autorização dos pais? Já imaginou um ritual supervisionado por um adulto? Um sacrifício feito com uma tesoura sem ponta?
Pois bem, deixei de lado, mesmo sabendo que o desvio dos pueris é de interesse do outro lado, na verdade de uma parte dele, você bem o sabe. Mas permiti ser associado a isso.
O tempo passou mais, e o respeito caiu ainda mais, para meu despeito. Vi minha figura ser associada a um texano, monolingual, veja bem, mono. O cidadão mal sabe se expressar no idioma dele e já me associaram a esta figura. Será que estas pessoas não conhecem o efeito pentecostes (admito que seja um péssimo nome, mas...)? Justo eu que sei todas as línguas de todos os povos, passados, presentes e futuros, vi meu nome associado a uma pessoa que mal sabe articular uma frase de três palavras, ficando mais difícil ainda se não considerarmos a palavra fuck.
Isso me deixou chateado até, logo eu que criei coisas fantásticas nos idiomas, tais como a análise sintática e morfológica e o phrasal verbs, entre outras. Tsc, tsc (não, não, o adjunto adnominal e o verbo to be não são minhas criações).
Feito esse rápido desabafo (você não faz idéia de como poderia ser longo), vamos ao motivo desta missiva.
Tudo começou quando resolvi tirar férias, alguns anos descansando em lugares aprazíveis como Brasília ou São Paulo (pensei no Rio de Janeiro, mas lá tinha surto de dengue. Esse é o problema das releituras dos clássicos, devido às taxas de juros trocaram rãs por mosquitos e o que antes eram sete, virou uma, mas não me meto na providência), durante minhas férias meus assessores (leia-se advogados, médicos, dentistas, arquitetos, professores e historiadores) decidiram criar coisa novas. A idéia era até boa, novos tormentos sempre são bem vindos, mas algo deu errado.
Não me preocupei, uma vez que os dois últimos projetos deles ( algo chamado pagode e axé music; o funk foi criação minha) tinham dado certo. Mas ai que deu o problema, eu devia ter percebido que algo com referência a lança e uma sigla com apelo infantil não ia da certo. Concordo que foram idéias infernais, sim sim, excelentes métodos de tortura. Mas esse é o problema das torturas, elas devem ser feitas às escondidas ou de vez em quando (especiais de natal te diz algo?). Bom, resumindo, depois desses casos, fui obrigado a retomar as rédeas e contra atacar essas duas pequenas criações de meus asseclas antes que elas ganhassem força, e me desmoralizassem. Tá certo que apelei para um approach mais vegan, envolvendo melancias, mas o que mais podia fazer contra meninas vestidas de colegial?
Para finalizar o Vaticano lançou a nova lista de pecados, e mais uma vez fui ridicularizado. Você acha mesmo que é obra minha jogar lixo no rio? Ou ainda, fazer o cara se entupir de droga a ponto de fazer um pentagrama de 8 lados? Nem comento sobre acumular riqueza, uma vez que, pensando bem deixa para lá. Pensarei nisso nas próximas férias em Roma.
Assim chego à finalidade dessa carta, por favor, para evitar mais desmoralização de minha imagem, peço-lhe que divulgue essa carta onde:
• Eximo-me da responsabilidade pelas músicas intituladas pop e black.
• Assumo a autoria do funk. E a coordenação dos projetos pagode e axé music.
• Ausento-me totalmente da escolha dos novos pecados capitais e da epidemia carioca.
O segundo favor você sabe qual é, e espero a sua breve realização.

Grato e sem mais
De seu caro amigo LMS

ps: vejamo-nos em breve, e espero que esse breve seja breve mesmo".


Publicado em : Literatura - Contos, Diversos
Quote this article in website Favoured Send to friend

Comentários (1)
Postado em tamaraprior, em 26-08-2008 13:39, , Membro Registado
Demais!
 
» Responder a este comentário...

Adicionar comentário

< Anterior   Próximo >