| ESA #24 - O Plano Secreto de Guta |
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Assim que chegou ao cinema, Joyce arrependeu-se de ter ido. Primeiro que seus sapatos verdes de veludo e na última moda estavam castigando seus pés. Segundo que Erick estava lá e assim que o viu, teve impressão que ia cair do salto. Seus joelhos ficaram moles. Suas finas e torneadas pernas ficaram bambas, como se fosse uma criança que nem sabia andar direito.
Erick estava de cartola recém-devolvida por Sofia. Calça jeans cinza, coturnos e uma camiseta preta de uma banda, com mais braceletes e correntes do que o normal. Sentado no banco calado e impaciente, enquanto todos os outros conversavam ao redor. Sofia estava no meio deles, conversando especialmente com Guta, sobre como deixou o cabelo todo cor-de-rosa. Agora não parecia mais com Cecília não só pelo cabelo, mas também pelo figurino: estava usando um shorts xadrez, com um cinto cor-de-rosa, meias pretas de fio 70, bota de couro de cano longo e uma blusinha branca. O engraçado era que se ela andasse do lado de Erick, pareceriam o casal perfeito! Isso tirou Joyce do sério, pensar em Erick e Sofia como o casal perfeito lhe dava choques na cabeça, dores de estômago e arrepios pelo corpo, de tanta raiva! Cecília estava de costas, com uma blusinha listrada vermelha e branca, cheia de glitter, uma calça fusô preta e botinhas caramelo de cano bem curto, agarrada ao braço torneado de Renato, que estava de boné branco, calça jeans arrasadora - como sempre e uma camiseta azul clara. Guta e André estavam no meio deles. Ele de camiseta de hibiscos e calça jeans e Guta com uma saia rodada jeans, sandálias rasteiras e uma blusinha branca colada marcando sua barriga flácida. Joyce reparava sempre nas roupas de todo mundo, especialmente porque não gostava de parecer deslocada junto dos amigos! Acertou sua blusinha verde como seus sapatos e puxou a ponta de sua saia preta curta, para não parecer desleixada, enquanto andava meio torta e sem equilíbrio. Por algum motivo a saia parecia mais curta do que ela queria que fosse... sentia-se horrível... Sofia foi a primeira que a viu chegar: - Joyce! - anunciou a chegada da amiga, recebendo-a com um sorriso caloroso de orelha a orelha, mais feliz do que o normal. Sofia não era a expansiva das gêmeas e isso definitivamente não combinava com ela! - Oi, oi. - falou aproximando-se, dando beijos em todos. Quando chegou em André, deu um selinho. - Uau, que saia, hein! - André falou abraçando-a assim que ela chegou perto, assanhado. Joyce afastou-se dele quase que imediatamente, de mau-humor. - Não amassa minha roupa, André. - Mas normalmente ela nem ligaria para isso. Só não queria que ele ficasse agarrando ela desse jeito na frente de todo mundo... especialmente na frente de Erick, que estava logo ali... alheio a tudo. - E aí vamos? - Cecília perguntou. - Falta o Ênio e a Isa. - Sofia anunciou que seus amigos viriam. - Aqueles seus amigos? - Guta perguntou surpresa. Sofia parecia uma boba, chamando Ênio e Isa para o cinema bem quando tinha terminado com Erick, sabendo que Ênio e Erick não tinham se dado bem logo de cara. - É. - O Ênio é uma gracinha. - Cecília falou, com uma piscadela. Erick quis morrer, sozinho no banco. Dali podia ouvir tudo e a notícia de que Ênio estava vindo também foi um tiro bem no meio da sua testa. Sofia estava fazendo de propósito, era tão obvio! O pior era depois dizer que eles deviam ser amigos... que falta de senso! - Podíamos comprar os ingressos enquanto isso. - Renato deu a idéia. - Vou com você! - Cecília não largou do braço dele. - Vem Sô! - Eu vou comprar os nosso também. - André disse seguindo os amigos. Guta e Joyce se encararam. Nenhuma das duas queria ir junto e portanto, foram sentar-se ao banco do lado de Erick. Guta não perdeu tempo e sentou-se bem na outra ponta, obrigando que Joyce sentasse-se do lado de Erick, no meio dos dois. Joyce sentou-se toda endurecida, sem jeito. Guta divertiu-se. - Ué, o que foi? - Erick perguntou assim que elas chegaram. - Foram comprar os ingressos... temos que esperar os amigos da Sô. - Joyce respondeu, encarando suas unhas recém-pintadas de cor-de-rosa, mais sem jeito do que qualquer outra coisa. - É impressão minha ou a vinda do Ênio é só pra te provocar, Erick? - Guta foi a primeira a comentar. - Só me irritou. O cara é insuportável... Aposto que ele e a Isabella vão falar mal do filme a sessão inteira, como se fossem PHD no assunto... - Erick debochou, com um suspiro impaciente. - Ai, perdi a vontade de ir ao cinema... - Joyce comentou, com um bico chateado. - Eu também... - Erick concordou. - Podíamos fugir, né? - Guta deu a idéia. Topava qualquer coisa para que Joyce ficasse longe de André e junto com Erick. Na sua cabeça, tudo funcionou como uma engenhoca produzida por Einstein, com perfeição. - Sério? - Erick se animou com a idéia de fugir dali. - Sério! Vamos, Joyce? - Mas pra onde? - Qualquer lugar. - Guta respondeu e ficou em pé. Erick ficou em pé também. - Mas assim sem avisar ninguém? - Joyce não levantou, fez uma careta. - É... - Erick deu de ombros. - Qualquer coisa pra escapar desse Ênio. - A menos que você queira ficar... - Guta falava com Joyce, notando que ela estava insegura quanto a fugir com eles. - Mas garanto que vai ser um saco esse cinema! - Então vamos logo! - Joyce ficou em pé. Os três saíram o mais rapidamente possível do shopping e andaram até um ponto de táxi, parando junto a um dos carros brancos estacionados. - Moço quanto que você faz para ir daqui até Rua Lima? - Guta perguntou abrindo a porta e deixando Joyce e Erick entrarem primeiro. - Lá tem algumas lanchonetes legais, a gente pode ir lá. - Uns trinta reais. - o homem bigodudo respondeu. - Tá, vamos pra lá! - Joyce confirmou o destino. - Ai, esqueci minha carteira com a Cecília! - Guta anunciou, ainda na porta do táxi, abrindo a bolsa. - Eu vou ver se consigo recuperar. - Que droga, Guta! - Joyce reclamou. - Vamos esperar, está bem? - Ok! - Guta sorriu e correu para dentro do shopping o mais depressa que pôde, mas assim que subiu as escadas rolantes em direção do cinema, simplesmente relaxou, abriu um sorrisão. Não pretendia voltar pro Táxi, tinha outros planos! Joyce era muito inocente em não perceber que aquilo tudo era uma armação bem mal-intencionada de Guta para cima dos dois, e Guta sabia que a amiga demoraria um tempo até se tocar que caíra como um patinho na lagoa do jacaré! Riu sozinha se divertindo e adentrou o salão do cinema. - Ué, cadê a Joyce e o Erick? - André perguntou assim que a viu chegar ao cinema. Ênio e Isabella já estavam lá, conversando com Sofia, mais afastados deles. - Ah, o Erick foi embora por causa do Ênio. - falou baixinho tentando fazer André achar que era isso mesmo. - E a Joyce tava mau-humorada, aproveitou e foi embora também. - Sério? - André estranhou a conversa de Guta, erguendo as sobrancelhas. - Tá eu admito, pedi pro Erick se livrar da Joyce para que a gente pudesse ficar junto, pensei que podíamos ir pra minha casa, continuar aquela conversa. - E fez uma carinha safada. André levou um susto tão grande com o que Guta dissera que não se importou com Joyce e nem com Erick, apenas sorriu alegre: - Puxa, podemos pegar um taxi e ir agora se você quiser! - riu. - Táxi não, vamos de ônibus mesmo. - O ponto de ônibus ficava bem longe do ponto de Táxi onde Guta deixou Erick e Joyce esperando. - Tá bem, mas já comprei os ingressos... - André falou. - Podemos jogar no lixo e ninguém nem vai ficar sabendo... - Guta fez a cara safadinha de novo. Foi o suficiente para André jogar tudo para o alto! - Ai, porque será que ela tá demorando tanto? - Joyce perguntou, sentada no banco de trás do carro do lado de Erick. - Eu acho que ela nem vem, Joyce. - Erick falou, deduzindo o óbvio. Foi então que Joyce percebeu a armação de Guta, ficou vermelha de vergonha e cobriu o rosto com as duas mãos. Erick nem se importou, abriu a porta do carro. - Vamos sair daqui. Joyce o segurou. - Não vou voltar pro cinema. Vamos até o Santarella. Quero que todos explodam! A Guta, a Sofia, o André e todo mundo que estiver lá. - estava surpreendentemente decidida, passou por cima de Erick para fechar a porta do carro. Depois, virou-se pro Taxista. - Ouviu? - Sim senhorita! - o homem deu partida no carro e o taxi deixou o ponto. - Ué, cadê o povo? - Renato percebeu que todos haviam sumido. - Não sei. - Cecília olhou para um lado e para o outro, sem soltar o braço de Renato. - Será que fugiram? - Isso seria típico da Guta! - Renato divertiu-se, conhecendo a amiga que tinha. - Podemos ir sem eles. - Sofia sentenciou. - Eu vou comprar pipoca, alguém quer algo? - Eu queria uma água! - Cecília pediu. - Eu compro pra você. - Renato ofereceu-se, com um sorriso encantador. Cecília não discutiu. Os três dirigiram-se para a fila da lanchonete no cinema, Ênio estava lá e Isabella guardava lugar na fila para entrar na sala do filme. - O que você quer, Sô? - Pipoca, cinema sem pipoca perde a graça. - sorriu para Ênio. - O pessoal foi embora, acho que desistiram... - Fala sério, né Sofia, era querer demais ser amiguinha do Erick depois de tudo. - Ai, Ênio, também não é assim. Ele é uma pessoa legal apesar de tudo...! - Pessoas que traem não são de confiança. - Eu não vou discutir isso com você, você é muito radical! - Sofia riu e para quebrar a braveza de Ênio fez cócegas nele. - Para de ser chato! - Parei, parei! - riu. Ênio não estava sendo chato, estava até contente que finalmente Sofia tinha largado aquele sujeito esquisito e agora estava livre para perceber nele o amor de sua vida. Não ia perder essa chance por nada nesse mundo! - Sabe que eu queria ir a um show? - Cecília falou, em pé na fila junto de sua irmã. - Um show de quê? - Renato interessou-se. - O Ênio tem uma banda a gente podia ir num show deles. Quando você vai tocar Ênio? - Ah, Sofia, nem toco fora da garagem do Joaquim! - Que Joaquim? O irmão da Joyce? - Renato indagou. - Você toca com o irmão da Joyce? - Cecília fez uma careta de espanto. - É, ele tem uma irmã que chama Joyce! - Ênio não entendeu o que Renato e Cecília estavam dizendo. - A Joyce é namorada do André, que é irmão do Erick. - Renato explicou, para que o garoto de cabelos azuis não ficasse por fora. - Ah... ela nunca foi a nenhum ensaio. - deu de ombros. Não conhecia Joyce. - Mas se vocês quiserem, domingo vamos ensaiar... só que assim, estamos sem vocalista porque o Fernando saiu e ainda não encontramos ninguém. - Vou aproveitar e fazer uma matéria sobre vocês, posso? Pro jornal da nossa escola? - Cecília queria agradar. - Estou mesmo precisando variar o repertório depois da seqüência de "10 melhores lugares". - Falando nisso eu adorei a matéria. - Renato mudou o assunto. - Qual é o próximo tema? - 10 melhores lugares para se esquecer um idiota. - Sofia respondeu, com uma gargalhada. - E os lugares foram todos escolhidos pela Sô! - Cecília riu também. - Revelador! - Renato divertiu-se. - Quero incluir "ensaio da banda dos amigos" nessa. - Sofia disse. - Feito. - Cecília concordou, coisa que não era sempre que fazia. - Ei, eu vou também! - Renato não perdeu tempo e se convidou. - Não tenho nada pra fazer domingo e nunca ninguém me chama pra nada! - Até parece, Renato! - Cecília não acreditou. - O que deve ter de menina te ligando no fim de semana não tá escrito! - Eu não saio por aí dando meu telefone pra todo mundo, como você pensa! Viu senhorita? - Não seja por isso, a gente sempre ensaia domingo! - Ênio se intrometeu. - Pode aparecer sempre se achar que a música vale a pena. - Que som que vocês tocam? - Renato curtiu a idéia. - Rock Alternativo... mas vai um pouco de cada porque cada um tem um gosto diferente. - Está combinado, domingo iremos lá! - Renato combinou por todos. - Eu levo uma vodka! - Está ficando interessante essa baladinha! - Sofia comprou a idéia. O Santarella era uma pizzaria e não abria antes das dezoito horas. Como ainda eram quatro e meia da tarde, Joyce e Erick ficaram no meio da rua, mais precisamente na calçada cimento. - Droga, devia ter segurado o táxi. - Joyce disse chateada. - Desculpe. - Não... tudo bem. - Erick viu uma sorveteria do outro lado da rua. - Vamos pra lá. - apontou. - Certo. - e atravessaram a rua assim que parou de passar carro. Joyce sentou-se na primeira mesinha do lado de fora, que ficava na calçada. A sorveteria era do bairro e portanto não havia quase ninguém. Largou a sua bolsa em cima da mesa, chateada. - Estou irritada. - Eu também. - Erick sentou-se ao seu lado e pegou o menu que estava em cima da mesma. - Vai querer qualquer coisa com muito chocolate? - Exatamente! - sorriu e aproximou-se para ver o menu também. - Qual é o maior? Quer com chantilly extra também? - Sem dúvida. - Pede um desse. - Joyce apontou no cardápio para um sorvete que vinha em uma taça enorme e tinha cinco bolas. - Tudo de chocolate e uma água! - Certo. - Erick levantou-se entrando na sorveteria e não demorou muito para sair. Voltou a se sentar ao lado de Joyce. - Temos até número de senha. - E entregou para ela um papelzinho onde estava anotado 232 à caneta pelo atendente. - Debochado. - Joyce riu, quando leu o papelzinho. - Nunca vi essa sorveteria antes! Sempre venho jantar com meus pais no Santarella... quer dizer, quando eles estão em casa! - Seus pais não ficam muito em casa, né? - Viajam bastante a trabalho. - Joyce respondeu e soltou o papelzinho em cima da mesa. Ajeitou a saia, procurando se cobrir. - Normalmente estamos eu e meu irmão em casa, mas meu irmão não para muito em casa também. - Resta só você. - É... de uma forma ultra monótona! Ao menos posso ouvir Madonna sem ninguém reclamar. Nossa como eu odeio que peçam pra diminuir o som! - Entendo perfeitamente! - Erick riu. - Fazem isso comigo também. - Mas você não ouve Madonna. - Não mesmo! - Dá pra perceber! - O que você quer dizer com isso? - Que você é um ET se comparado com o resto da escola! - Só que os ETs são vocês e eu que fui abduzido! - É tão diferente assim a sua antiga escola? - Joyce ergueu uma sobrancelha, desconfiada. - Claro que não! - Erick riu, achando graça da pergunta boba de Joyce. - Só que meus amigos não eram tão mauricinóides assim. - Mauricinóides?! - Joyce não conhecia o termo. - Tudo bem, eu sou patricinha mesmo, admito. - É... nem se nota...! - Erick debochou. - Mas você nem pode dizer muito, seu coturno é da Vilela! - E daí? - É a marca de botas de roqueiros boyzinhos... - Joyce provocou, batendo no cano do coturno com a ponta de seu sapato verde, bem onde tinha uma strip com a fivela que exibia a marca. - Só é a mais cara. Aposto que se eu mexer no seu armário encontro umas roupinhas da Opera Rock, ultra boyzinho! - debochou. - Melhor do que esse sapatinho de veludo com cara de tapete da vovó, fala sério. - Que é de uma coleção exclusiva, por sinal. - Joyce deu língua. - Já a sua botinha sem graça é produzida em série e aqui no Brasil você só compra as mais feinhas, as mais legais estão na coleção para exportação! - Jura que você sabe tudo isso sobre um coturno? - Erick fez uma cara esquisita, meio surpreso e meio de quem não entende nada do assunto. - Eu gosto bastante de moda! Quero ser estilista um dia. - É, combina com você... - Erick sorriu. Claro que não poderia ser diferente, Joyce tinha um estilo só dela. Joyce pegou a cartola da cabeça dele. - Agora você, Deus me livre, Erick!! Precisa mesmo dar um jeito no seu guarda-roupa! Aquelas calças que você usa, credo!! - E estendeu o "o" do final da palavra, para dar um drama maior. Colocou a cartola na cabeça. - Dava pra destruir o seu armário que nem ia fazer falta! - Certo, você entende de moda e eu de fotografias, acho justo! - Erick colocou a mão na ponta da cartola e afundou na cabeça de Joyce, cobrindo seus olhos. Só parou no nariz. Ela riu sem visão. - Você pode destruir o meu guarda roupa quando quiser. - e dito isso Erick a beijou. Joyce permitiu, há tempos já estava querendo beijá-lo e por esse motivo que largou todo mundo no cinema e agarrou-se à idéia maluca de fugir com ele para qualquer lugar. O abraçou com força aproximando seu corpo, apertando seus seios contra o corpo de Erick de forma sensual, completamente entregue. Descabelada, Guta saiu do banheiro e sentou-se do lado de André, que ainda nu assistia televisão. A porta do quarto estava devidamente trancada e a janela fechada, com todas as roupas emaranhadas no chão. André deu espaço para ela entrar debaixo do cobertor e abraçou-se com o corpo macio de Guta. - André? - ela chamou. - O que foi? - Quando você vai terminar com a Joyce? - perguntou. - O quê? - André virou-se para ela em susto, afastando-a. - Peraí Guta... não entendi. - Quando você vai terminar com a Joyce? - insistiu. - Terminar? - É, André... terminar com ela pra ficar comigo. - Não sei... - desviou o olhar. - Não sei. - Você vai terminar, não vai? - Eu ainda não decidi. - Como não, André, tá ficando doido?! - Guta reclamou e o jogou pra fora da cama. - Peraí Guta! - André caiu sentado no chão. - O que eu fiz? - Você é um otário mesmo, tá achando que eu sou o quê? Sua putinha de descanso? Um estepe? Um brinquedinho pra quando você estiver no tédio?! - Não disse isso, Guta! - ficou em pé. - Você sabe que essas coisas não são tão simples. - Pois são bem simples, se você quer saber. Se você não terminar com ela, vou contar tudo sobre a gente pra Joyce e aí ela vai terminar com você! - Guta estava irritada. - Tá maluca?! - André não queria que Guta contasse nada para Joyce. - Eu vou terminar com ela, ta bem? Tá mais feliz agora? - Quando?! Eu quero saber quando! - Sexta-feira. De sexta-feira não passa, ta? Eu preciso organizar as coisas, pensar no que vou dizer...! - Sexta? Promete? - Prometo. Prometo. Guta sorriu, mais tranqüila e feliz. Abriu espaço no cobertor para André novamente, que voltou a sentar-se do lado dela para ver televisão. Ela o abraçou novamente. Finalmente! Agora faltava muito pouco para André ser só dela! Joyce e Erick estavam se beijando em frente a sua casa. Depois do sorvete, ainda ficaram a tarde inteira juntos em um amasso sem fim, até que Erick lembrou que tinha que voltar para casa porque estava de castigo e não tinha permissão para ficar na rua à noite. Mesmo assim, acompanhou Joyce até o portão de sua casa. Afastaram-se para a despedida. - Você me liga quando acordar? - Joyce perguntou. - Tem certeza que quer fazer isso? - Ah, Erick, esse negócio de traição não dá certo. Vou abrir o jogo com o André. Não seria justa com você também. - devolveu a cartola para ele. - E se você se arrepender? - Eu já me arrependi de não ter feito isso antes... - Joyce sorriu. - Devia ter terminado com ele logo que tive vontade de queimar aqueles jornais todos da escola, só porque era uma foto sua com a Sofia. - Essa semana foi uma bagunça... - Mas você tem que me prometer que vai parar de ficar matando aula, seu boletim vai ficar todo vermelho! - Primeiro meu guarda-roupa, depois minhas notas... o que mais você quer?! - Que você comece a gostar da Madonna também! - provocou, e quando Erick foi reclamar, não deixou, dando-lhe um selinho. - Vai pra casa antes que você fique de castigo, bobo! - Já ia ser o segundo por sua causa. - contabilizou. - Até amanhã. Antes de sair, ela o puxou para mais um beijo e depois, acenou para ele da porta, antes de entrar em casa, suspirando e com os dois pés nas nuvens.
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