| Que bicho é esse hipertexto? |
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Em 3.500 a.C. os sumérios inventaram a escrita cuneiforme. Em 1450-1455 d.C. Gutenberg fez o primeiro livro impresso da história da humanidade. O primeiro microcomputador doméstico foi comercializado em 1977. E apenas em 1990 surgiu a World Wide Web.
A tecnologia procrastinada, que se delongou tanto para avançar nos primórdios da civilização, hoje evolui mais rápido que a própria escrita e a cultura, invertendo assim muitos fatores culturais da humanidade. Se antigamente o mundo se moldava ao redor do homem e as criações decorriam de acordo com necessidades sociais ou individuais, hoje é a Tecnologia que determina as regras do desenvolvimento e agencia transformações na escrita. O hipertexto caracteriza uma mudança radical do pensamento humano: de linear passa a se organizar de forma multilinear. Reflete a forma como o pensamento do homem opera, ou seja, de forma associativa, interconectada com a nossa memória onde todo o nosso conhecimento se unifica. Foi com a Revolução Digital que o hipertexto ganhou produção em larga escala e concretizou-se como forma de linguagem. Antes da Revolução Digital o hipertexto era basicamente composto de notas de rodapé, verbetes e termos de dicionário, que se associavam através de ligações de significância – um assunto leva ao outro e completa o seu significado como um todo. – Hoje hipertexto abrange muito mais do que hiperlinks. O Hipertexto é o texto digital e de internet. O grande difusor de informação. A informação deve ser rápida, concisa e precisa (breve e inequívoca). O Hipertexto consiste em: intertextualidade, velocidade, dinamismo, transitoriedade, precisão, acessibilidade, estrutura em rede e é claro, interatividade. Falar em Hipertexto trás a tona o assunto da hipermídia – expressão criada em 1960 por Ted Nelson, filósofo e pioneiro da Tecnologia da Informação – que se conceitua na reunião de várias mídias em um único suporte (computador) amparado por sistemas eletrônicos de comunicação. Versa a palavra, o som, as imagens (dinâmicas ou estáticas), e integra os sentidos humanos, enriquecendo aquela informação. Podemos dizer que o hipertexto estaria completo se inserido na hipermídia, tornando-se assim um texto sinestésico capaz de reunir todos os sentidos humanos na significação da informação, de forma a explorar não só a linguagem como também o contexto histórico, psicológico e social da informação em si. Porém, e infelizmente, isso não ocorre com a devida totalidade. A humanidade ainda vive essa onda de evolução – a chamada Revolução Digital. Inventa-se e se cria todos os dias novas formas de exploração dessa era, novas tecnologias e sistemas. É uma fase de transição e as projeções de compreensão cabal dessas novas tecnologias estão previstas apenas para o final do Século XXII, quando é crível que o homem terá a maturidade necessária para lidar com essa semântica.
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